Em seus primeiros quatro dias em cartaz, “O Agente Secreto”, longa brasileiro indicado para concorrer a uma vaga no Oscar, levou aproximadamente 333 mil pessoas aos cinemas e somou uma bilheteria de R$ 8 milhões, de acordo com dados da Comscore referentes ao período de 6 a 9 de novembro. A produção brasileira liderou o ranking de bilheteria no fim de semana, ultrapassando “Predador: Terras Selvagens”, que estreou na segunda posição, com R$ 5,7 milhões e público de 241 mil pessoas.
Dados da Ancine indicam que, até 2 de novembro, o longa havia alcançado 56 mil pessoas e renda de R$ 1,36 milhão em cerca de 300 salas de cinema no Brasil, como mostrou a Fórum, o filme arrecadou R$ 618,16 mil entre 23 e 26 de outubro, ocupando a oitava posição na lista de filmes mais vistos.
O filme se firma como um dos grandes destaques do cinema brasileiro em 2025, alcançando uma das maiores bilheterias do ano, superado apenas por Homem com H (631 mil), Vitória (720 mil), Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa (986 mil), Ainda Estou Aqui (2,7 milhões) e O Auto da Compadecida 2 (2,9 milhões), que também são grandes filmes nacionais.
Antes de “O Agente Secreto”, quem liderava o ranking de estreias do cinema brasileiro em 2025 era “Vitória”, com Fernanda Montenegro. O longa havia somado R$ 4,7 milhões em bilheteria e atraído 218 mil pessoas às salas de cinema. Pré-selecionado para representar o Brasil no Oscar 2026, O Agente Secreto vem sendo apontado por críticos como um forte candidato às indicações de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator (Wagner Moura). O longa segue em cartaz nos cinemas brasileiros e já foi exibido em diferentes festivais de cinema no Brasil, com a 49ª Mostra de Internacional de Cinema.
Situada nos anos 70, durante a ditadura militar, a obra busca incentivar o público, principalmente os mais jovens, a se aprofundar na história do período, mas não se limita a tornar o regime militar a história principal do longa, que também conta elementos fantásticos que dão forma à narrativa e os imaginários do público em torno da vida comum, da vida de todos os brasileiros, do passado e do presente.
'Cultura e a democracia andam juntas'
A poucos dias de O Agente Secreto chegar ao cinema nacional, Kleber Mendonça Filho participou de uma coletiva e afirmou que realizou “um filme sobre o Brasil, sobre certos elementos que contém muito do que é o Brasil, e que eu acho que precisavam ser ressaltados neste momento em que o nosso país vive”.
Mendonça Filho, que conquistou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes com O Agente Secreto, ainda afirmou: “o Brasil é um país que tende a esquecer muitas coisas, e um filme diverte, mas também tem uma carga de informação sobre o lugar que a gente mora”. Situada nos anos 70, durante a ditadura militar, a obra busca incentivar o público, principalmente os mais jovens, a se aprofundar na história do período.
“Quero que o filme seja visto por um público grande no Brasil, mas eu tenho um desejo muito especial de que esse filme seja descoberto por gente muito jovem – como estudantes, meninos e meninas – que vão ao cinema e veem um filme brasileiro que conta a história brasileira”, disse Kleber Mendonça Filho.
Ele relatou ainda: “Eu saí de uma sessão do filme Ainda Estou Aqui, no Recife, e na minha frente saíram duas meninas muito jovens que falaram uma para outra que não sabiam que o regime militar tinha sido tão ruim daquele jeito. Então, eu acho que são pequenas informações, pequenos sentimentos, que um filme, principalmente um filme brasileiro, pode trazer sobre o nosso país”.
Sobre o rótulo de regionalidade, ao qser questionado, Kleber disse:
“Eu nunca me vi e me coloquei como regional. Eu sou parte do Brasil. Meu ponto de vista é brasileiro, com base em Recife, Pernambuco, então eu não acho que faz nenhum sentido chamar qualquer coisa que não seja da região Sudeste de regional”
Segundo o cineasta Kleber Mendonça Filho, “existe toda uma montagem do nosso país, que foi uma montagem econômica, política e cultural, que deu muita força ao que é feito no Sudeste, mas eu acho que o cinema é uma ferramenta, a televisão já devia ser assim, mas infelizmente não funciona dessa forma. Eu acho que o cinema corre muito mais solto, com mais liberdade”. Ele ainda ironizou: “na verdade, para mim, regional eram as novelas da Globo que eu cresci vendo. Porque se passavam na Barra da Tijuca e eu não sabia o que era”.
O diretor de O Agente Secreto, escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026, afirmou também na coletiva que “a cultura e a democracia andam juntas, mas a gente viveu um momento de ataque à lei de cultura e à arte, é tão ruim você ver um ataque coordenado, e desde que o Brasil voltou a ter tendências democráticas, a cultura voltou”.