JUÇARA MARÇAL

Vozes Vissungueiras: canto afro-mineiro do século XIX é resgatado em álbum

“Andambi”, primeiro single, já está nas plataformas com Salloma Salomão e Sérgio Pererê e ainda Juçara Marçal, Tiganá Santana, Graciela Soares, Rita Teles e Luciano Mendes

Convidados do single “Andambi”.Créditos: Talita Beltrame/Divulgação
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O canto ancestral das lavras de diamantes do Alto Jequitinhonha ganha nova vida com o lançamento de “Andambi”, primeiro single do álbum Vozes Vissungueiras, que chegou às plataformas digitais nesta segunda-feira (11). A faixa traz uma releitura contemporânea de um vissungo canto afro-mineiro do século XIX — documentado em 1943 pelo filólogo e linguista Ayres da Mata Machado Filho em sua obra O Negro e o Garimpo em Minas Gerais.

Interpretada por Salloma Salomão e Sérgio Pererê, a canção reflete o caráter coletivo dos vissungos e conta com coro formado por Juçara Marçal, Tiganá Santana, Graciela Soares, Rita Teles e Luciano Mendes. O arranjo, assinado por Salomão, incorpora instrumentos de matriz africana, como a timbila, xilofone tradicional do povo Chopi de Moçambique, tocada por Gui Braz.

Canto ancestral revisitado

“Andambi” é uma recriação do Canto do Meio-Dia, também conhecido como Canto VII, registrado originalmente em São João da Chapada, distrito de Diamantina (MG). O vissungo faz parte de um conjunto de 65 cantos coletados entre 1928 e 1939, que retratam o cotidiano dos garimpeiros negros e preservam expressões da diáspora centro-africana.

Mais do que uma recuperação histórica, o novo single busca reconectar a memória viva dos vissungos à música brasileira contemporânea, dialogando com tradições quilombolas e com a herança bantu presente na formação cultural de Minas Gerais e do país.

O projeto Vozes Vissungueiras

Com direção musical de Salloma Salomão e curadoria de Rita Teles, Luciano Mendes e Joana Corrêa, o álbum foi idealizado pelo Núcleo Coletivo das Artes Produções, em parceria com a plataforma Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante e o Mukuá – Laboratório de Estudos sobre Vissungos.

O disco, com 15 faixas inéditas, propõe uma escuta que une registros históricos e oralidade tradicional, dialogando com os estudos de Mata Machado, as gravações do etnomusicólogo Luiz Heitor Corrêa de Azevedo e o legado do mestre vissungueiro Enilson Viríssimo, do Alto Jequitinhonha.

Inspirado em marcos da música afro-brasileira, como o álbum O Canto dos Escravos (1982) — que reuniu Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela —, o projeto reafirma a presença viva das musicalidades bantu na cultura popular brasileira.

Lançamento e shows

O álbum completo Vozes Vissungueiras será lançado em 10 de dezembro nas plataformas digitais. Antes disso, o público poderá assistir a uma pré-estreia em 30 de novembro, no Parque do Povo, em Itapecerica da Serra (SP), durante o encerramento do Mês da Consciência Negra. O show oficial de lançamento está marcado para 13 de dezembro, no Centro Cultural São Paulo.

Serviço

Lançamento do single Andambi

11 de novembro de 2025 – Disponível em todas as plataformas digitais

https://open.spotify.com/intl-pt/album/551UP0xHuBNvzdbuoyKrio?si=RHANEeViQZuFoEHKSu-1yQ

Lançamento do álbum Vozes Vissungueiras

10 de dezembro de 2025 – Disponível em todas as plataformas digitais

Shows

30 de novembro – Parque do Povo, Itapecerica da Serra (horário a confirmar, siga as redes sociais do @parquedopovo.itapecerica para saber mais detalhes) 

13 de dezembro, 19h – Centro Cultural São Paulo

FICHA TÉCNICA DO SINGLE ANDAMBI

Vozes Principais: Salloma Salomão e Sérgio Pererê

Vozes Coro: Graciela Soares, Juçara Marçal, Luciano Mendes, Rita Teles, Tiganá Santana

Baixo e Timbila: Gui Braz

Percussão: Salloma Salomão

Arranjos: Salloma Salomão

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