Depois de anos como um dos pilares criativos do grupo RUMO, o compositor Zécarlos Ribeiro apresenta um novo capítulo de sua trajetória solo. O álbum “(Todos os Homens)º = 1” — lido como “Todos os homens elevado a zero é igual a um” — chegou às plataformas digitais na sexta-feira, 7 de novembro, reunindo dez faixas que transitam entre o lirismo, o humor e a inventividade sonora características de sua obra. O trabalho tem produção de Marcio Nigro e participações de Ana Deriggi, Arrigo Barnabé e Carlos Careqa, além de um time de músicos convidados.
Um compositor que agora canta suas próprias histórias
Reconhecido como um dos principais compositores do RUMO, ao lado de Luiz Tatit, Zécarlos é autor de canções emblemáticas como “Ladeira da Memória”, “Falta Alguma Coisa” e “Bem Alto”. Desta vez, ele volta a apresentar suas músicas em sua própria voz, após a estreia solo com “Ná Ozzetti canta Zécarlos Ribeiro”.
“Há muito tempo eu queria registrar minhas canções de forma mais pessoal”, conta o artista, que desde 2022 vem revisitando o próprio repertório e lançando novas composições em formato digital.
Te podría interesar
Parcerias, regravações e novas experimentações
Das dez faixas do disco, cinco são inéditas, quatro foram lançadas previamente em um EP, e uma é uma regravação: “Minha Cabeça”, parceria com Luiz Tatit gravada originalmente pelo RUMO em 1981. Nesta nova versão, Zécarlos divide os vocais com Arrigo Barnabé.
“Quando ouvi o Airam Capuani cantando essa música de um jeito inusitado, pensei em revisitá-la. O arranjo do Marcio Nigro trouxe um ar completamente novo, e logo percebi que ninguém melhor que o Arrigo para dar o tom exato dessa interpretação”, explica Zécarlos.
Te podría interesar
O álbum também celebra a longa amizade com Geraldo Leite, parceiro em quatro faixas — entre elas “Deslumbre”, com Ana Deriggi nos vocais. A canção nasceu de poemas do livro “Soltando os Bichos”, de Leite. “Musicar textos prontos foi uma experiência nova para mim, que sempre parti da linguagem falada. A Ana trouxe uma emoção única, deu o contorno perfeito à canção”, diz o compositor.
Um cavalo no corredor e um toque felliniano
Outro destaque é “Sonhe em Pé”, criada em parceria com Gal Oppido, fotógrafo e integrante histórico do RUMO. A letra é inspirada na história real do pai de Gal — um artista italiano que, sem espaço para o cavalo recém-comprado, passou a abrigá-lo no corredor de casa, no bairro do Ipiranga.
“É uma cena felliniana, uma mistura de cotidiano e poesia”, descreve Zécarlos. A música acabou sendo interpretada por Carlos Careqa, cuja voz, segundo o compositor, “se encaixou perfeitamente no espírito da canção”.
Um trovador urbano em tempos digitais
Para o produtor Marcio Nigro, trabalhar com Zécarlos é “um presente raro”. “Ele é um desbravador musical, um trovador urbano. O violão dele abre caminhos inesperados, com modulações e fraseados surpreendentes”, afirma.
Nigro — que já havia trabalhado com nomes ligados ao RUMO, como Paulo Tatit, Akira Ueno e Hélio Ziskind — assina os arranjos do álbum e celebra a colaboração com o compositor. “A empolgação do Zé com as pré-produções atraiu músicos incríveis e deu vida nova às canções. Em tempos de inteligência artificial, essa troca humana é ouro”, resume.
Com capa de Giba Gomes, “(Todos os Homens)º = 1” reafirma o talento de Zécarlos Ribeiro como um dos compositores mais originais da canção paulistana — e mostra que, mesmo “elevados a zero”, os homens e suas histórias ainda somam muito.