O 15 de novembro, além de marcar a Proclamação da República, é celebrado também como o Dia Nacional da Umbanda, data oficializada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff. A religião, com suas raízes sincréticas que combinam elementos do Candomblé, Espiritismo e Catolicismo, é considerada uma das únicas genuinamente brasileiras, com forte presença nas tradições culturais do país.
Em 2022, o Censo do IBGE apontou que a prática da Umbanda e do Candomblé tem se expandido no Brasil. A pesquisa revelou que 1% da população brasileira se identifica com essas religiões, o que representa um aumento significativo em relação a 2010, quando esse número era de apenas 0,3%.
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A analista do IBGE responsável pelo tema, Maria Goreth Santos, explicou que esse crescimento reflete uma maior liberdade para os adeptos dessas religiões, permitindo que se declarem sem medo de estigmas ou preconceitos.
O aumento também é associado a uma mudança na forma como as pessoas se identificam religiosamente. Segundo Santos, a migração de pessoas que antes se declaravam espíritas ou católicas pode ter contribuído para esse aumento, já que muitos adeptos da Umbanda, em anos anteriores, evitavam se declarar como tal devido ao receio de discriminação.
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A Umbanda, ao longo dos anos, tem conquistado visibilidade não só entre os praticantes, mas também no cenário cultural do Brasil. Em algumas cidades, a religião recebeu reconhecimento formal, como no Rio de Janeiro, onde foi declarada patrimônio cultural imaterial. Além disso, terreiros e centros umbandistas celebram o dia com eventos que relembram suas tradições e promovem a visibilidade de sua fé.
A força social da Umbanda
A Umbanda, religião genuinamente brasileira que mistura Candomblé, Catolicismo e Espiritismo, continua a desempenhar um papel vital na sociedade, especialmente entre as classes populares e marginalizadas.
A religião, ao mesmo tempo que oferece cura espiritual, serve também como um espaço de resistência e afirmação cultural, ajudando seus adeptos a enfrentarem as dificuldades da vida cotidiana. O psicólogo José Francisco Miguel Henriques Bairrão, da USP, destaca que a Umbanda “dialoga com a realidade social brasileira” e se apresenta como uma “linguagem moral” que articula a luta dos marginalizados.
Entidades da Umbanda, como os Exus e Pombagiras, geralmente são vistas como símbolos da resistência contra as opressões sociais e culturais, desafiando normas e oferecendo uma identidade única aos praticantes. Ao contrário das igrejas neopentecostais, que pregam uma fé individualista, a Umbanda se concentra em valores coletivos, oferecendo aos seus seguidores uma forma de enfrentamento das injustiças sociais.