Precursora de um dos clássicos da ficção científica que inspirou inúmeras adaptações cinematográficas e produções, como o mais novo filme disponível na Netflix, Mary Shelley escreveu Frankenstein apenas aos 19 anos de idade, no ano de 1818. Lançado na Netflix em 7 de novembro, o filme dirigido por Guillermo del Toro, tornou-se imediatamente um fenômeno global. Com um orçamento superior a 100 milhões de dólares, o longa foi assistido por mais de 60 milhões de pessoas nos primeiros dez dias, consolidando-se como uma das maiores estreias cinematográficas da plataforma. Mas pouco se fala sobre a autora por trás da ficção.
Nascida em 1797, em Londres, Mary Wollstonecraft Shelley foi marcada pela literatura e pelo pensamento progressista: sua mãe, Mary Wollstonecraft, foi escritora e uma das primeiras vozes feministas do século XVIII, além de grande defensora dos direitos das mulheres. Em 1872, Wollstonecraft publicou Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher, de acordo com informações da Encyclopedia Britannica.
Mary conviveu com escritores e pensadores que visitavam seu pai e publicou seu primeiro texto aos 11 anos. Após conflitos com a madrasta, passou dois anos na Escócia, período que mais tarde descreveria como inspirador para sua imaginação literária, sendo em 1816, durante o chamado “verão assombrado” na Suíça, quando concebeu a ideia de Frankenstein.
Na Villa Diodati, após um desafio do poeta britânico Lord Byron para que todos escrevessem histórias de terror, ela criou a narrativa sobre o cientista Victor Frankenstein e sua criatura. A primeira edição de Frankenstein surgiu de forma modesta: 500 exemplares anônimos, impressos em papel de baixa qualidade por uma editora londrina pouco conhecida. Mary Shelley, então com 20 anos, evitou assinar o romance devido à controvérsia da sociedade em seu tempo. A obra, porém, espalhou-se rapidamente, e em agosto um conhecido da família relatava que o livro “parece ser universalmente lido”.
A primeira edição trazia um prefácio assinado pelo marido Percy Shelley e uma dedicatória ao pai William Godwin, o que fez muita gente supor que um dos dois fosse o verdadeiro autor. Percy, de fato, colaborou em alguns pontos, especialmente substituindo palavras simples por termos mais rebuscados e estruturas mais formais. Porém, os manuscritos originais deixam claro: Mary Shelley é a autora incontestável do romance.
Em 1831, ela publicou uma terceira edição de Frankenstein, que incluiu extensas edições da edição original e uma introdução descrevendo suas inspirações para a escrita da obra. A escritora também publicou outros livros, mas que geralmente são pouco citados, como Matilda (1819), Valperga (1823), The Last Man (1926), The Fortunes of Perkin Warbeck (1830), The Last Man (1826), Lodore (1835), Falkner (1837) e The Mortal Immortal” (1833).
Mary Shelley morreu em 1851, aos 53 anos, depois de perder o marido Percy Shelley, o amigo Lord Byron e três dos quatro filhos.