RELACIONAMENTO

Casamentos não acabam por traição, veja o verdadeiro motivo, segundo especialista

A crise que derruba muitos relacionamentos nasce no cotidiano, longe dos grandes conflitos

A rotina e a falta de diálogo estão entre os fatores que mais pressionam os relacionamentos.Créditos: Reprodução Pexels/RDNE Stock project
Escrito en CULTURA el

Por trás das estatísticas que mostram que mais da metade dos casamentos termina em divórcio, existe um conjunto de dinâmicas silenciosas que, segundo especialistas, se instalam no cotidiano e enfraquecem a relação muito antes da separação. Quem afirma isso é o advogado norte-americano James Sexton, que há 25 anos atua exclusivamente com casos de divórcio e se tornou uma referência na análise dos motivos que levam casais a romper.

Em entrevista ao podcast On Purpose, apresentado por Jay Shetty, Sexton descreveu padrões que se repetem ao longo de milhares de processos. Para ele, ao contrário do senso comum, a principal causa de separação não é a traição, nem o dinheiro, e sim o distanciamento emocional.

O afastamento gradual

De acordo com Sexton, a ruptura raramente ocorre por um evento súbito. O desgaste acontece aos poucos, quando um dos parceiros deixa de se sentir visto e valorizado. Pequenos gestos que antes sustentavam a intimidade, uma mensagem no meio do dia, lembrar do alimento preferido da outra pessoa, um cuidado antes de dormir, desaparecem. Na visão do advogado, esses detalhes têm mais peso para a sobrevivência do relacionamento do que datas comemorativas ou grandes declarações de amor.

A diferença entre casamento e matrimônio

O especialista chama atenção para a distância entre o que celebramos e o que realmente vivemos. Enquanto o casamento recebe meses de planejamento, o matrimônio, que é o dia a dia compartilhado, costuma ficar de fora das conversas importantes.

Expectativas, limites, rotina e necessidades emocionais raramente são tratados com a mesma seriedade que a festa.

Esse descompasso, afirma o advogado, é terreno fértil para frustrações. O ‘sim’ não garante um final feliz, ele apenas marca o início da disposição de fazer dar certo. 

Padrões familiares moldam o relacionamento

Segundo o especialista, o legado emocional que cada um traz da infância molda a maneira como os relacionamentos adultos se constroem. É importante dizer, no entanto, que isso não é determinante. Por isso, é importante levar em consideração o que cada indivíduo faz para lidar com suas questões pessoais. 

A chegada dos filhos e a organização de tarefas

A chegada dos filhos também aparece, segundo Sexton, como uma das fases mais delicadas do casamento. A rotina muda, as demandas aumentam e a atenção se volta quase totalmente para as crianças. Nesse processo, muitos casais têm dificuldade de ajustar a relação a essa nova dinâmica, e o vínculo acaba ficando pressionado.

Ele destaca ainda que, nos casos de separação, o impacto sobre as crianças não vem propriamente do divórcio, mas do ambiente de tensão que pode se instalar entre os pais.

Um trabalho emocional contínuo

Para Sexton, amar exige sinceridade e coragem. Ele afirma que muita gente tem medo de se mostrar por inteiro ao parceiro, e esse receio acaba sufocando a intimidade.

Na visão do advogado, relacionamentos fortes se constroem com honestidade, abertura emocional e pequenos gestos diários que demonstram atenção e cuidado. Com informações do portal "Infobae".

 

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