Por trás das estatísticas que mostram que mais da metade dos casamentos termina em divórcio, existe um conjunto de dinâmicas silenciosas que, segundo especialistas, se instalam no cotidiano e enfraquecem a relação muito antes da separação. Quem afirma isso é o advogado norte-americano James Sexton, que há 25 anos atua exclusivamente com casos de divórcio e se tornou uma referência na análise dos motivos que levam casais a romper.
Em entrevista ao podcast On Purpose, apresentado por Jay Shetty, Sexton descreveu padrões que se repetem ao longo de milhares de processos. Para ele, ao contrário do senso comum, a principal causa de separação não é a traição, nem o dinheiro, e sim o distanciamento emocional.
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O afastamento gradual
De acordo com Sexton, a ruptura raramente ocorre por um evento súbito. O desgaste acontece aos poucos, quando um dos parceiros deixa de se sentir visto e valorizado. Pequenos gestos que antes sustentavam a intimidade, uma mensagem no meio do dia, lembrar do alimento preferido da outra pessoa, um cuidado antes de dormir, desaparecem. Na visão do advogado, esses detalhes têm mais peso para a sobrevivência do relacionamento do que datas comemorativas ou grandes declarações de amor.
A diferença entre casamento e matrimônio
O especialista chama atenção para a distância entre o que celebramos e o que realmente vivemos. Enquanto o casamento recebe meses de planejamento, o matrimônio, que é o dia a dia compartilhado, costuma ficar de fora das conversas importantes.
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Expectativas, limites, rotina e necessidades emocionais raramente são tratados com a mesma seriedade que a festa.
Esse descompasso, afirma o advogado, é terreno fértil para frustrações. O ‘sim’ não garante um final feliz, ele apenas marca o início da disposição de fazer dar certo.
Padrões familiares moldam o relacionamento
Segundo o especialista, o legado emocional que cada um traz da infância molda a maneira como os relacionamentos adultos se constroem. É importante dizer, no entanto, que isso não é determinante. Por isso, é importante levar em consideração o que cada indivíduo faz para lidar com suas questões pessoais.
A chegada dos filhos e a organização de tarefas
A chegada dos filhos também aparece, segundo Sexton, como uma das fases mais delicadas do casamento. A rotina muda, as demandas aumentam e a atenção se volta quase totalmente para as crianças. Nesse processo, muitos casais têm dificuldade de ajustar a relação a essa nova dinâmica, e o vínculo acaba ficando pressionado.
Ele destaca ainda que, nos casos de separação, o impacto sobre as crianças não vem propriamente do divórcio, mas do ambiente de tensão que pode se instalar entre os pais.
Um trabalho emocional contínuo
Para Sexton, amar exige sinceridade e coragem. Ele afirma que muita gente tem medo de se mostrar por inteiro ao parceiro, e esse receio acaba sufocando a intimidade.
Na visão do advogado, relacionamentos fortes se constroem com honestidade, abertura emocional e pequenos gestos diários que demonstram atenção e cuidado. Com informações do portal "Infobae".