ARTE

Sumiu por 100 anos. Reapareceu intacta. E agora essa pintura vale mais R$ 10 milhões

Pintura, nunca publicada ou restaurada, reacende debates sobre lacunas no Impressionismo

Créditos: Reprodução/Youtube
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Uma pintura inédita de Pierre-Auguste Renoir, desaparecida por mais de cem anos, foi leiloada em Paris por US$ 2 milhões, redefinindo parte da produção tardia do artista. A obra, intitulada “A Criança e Seus Brinquedos – Gabrielle e o Filho do Artista, Jean”, jamais havia sido exibida, catalogada ou estudada, o que explica o impacto de sua revelação.

O leilão ocorreu em 25 de novembro no Hôtel Drouot, conduzido por Christophe Joron-Derem. O lance final chegou a € 1,8 milhão com taxas. O comprador, um colecionador internacional, superou as estimativas iniciais, que variavam de € 1 milhão a € 1,5 milhão.

Pintada entre 1890 e 1895, a tela retrata Jean Renoir, ainda criança, no colo da babá Gabrielle Renard, figura central da vida doméstica do artista. O quadro, de 54 x 65 cm, chegou ao leilão em estado impecável, sem necessidade de restauração.

A obra permaneceu sempre em mãos privadas. Renoir a presenteou à aluna e amiga Jeanne Baudot, madrinha de Jean. Depois da morte de Baudot, a pintura passou para seu filho adotivo, Jean Griot, e permaneceu guardada até 2011. O quadro nunca integrou os arquivos Wildenstein, o inventário oficial utilizado por pesquisadores, o que alimentou seu caráter “desaparecido”.

A descoberta reforça o peso da vida doméstica na fase final de Renoir, marcada por pinceladas soltas e temas íntimos. Apenas outras duas pinturas semelhantes são conhecidas — uma na National Gallery of Art, em Washington, e outra no Musée de l’Orangerie, em Paris.

A autenticação e o registro oficial da obra ampliam a compreensão sobre os modelos mais frequentes de Renoir, sobretudo Gabrielle e Jean, presentes em grande parte de sua produção familiar.

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), um dos pilares do Impressionismo, passou dos grandes ambientes ao retrato doméstico após o agravamento da artrite na década de 1880. A pintura recém-descoberta se insere nesse momento, quando o artista priorizava cenas espontâneas do cotidiano.

A aparição e venda da obra não apenas movimentam o mercado, mas adicionam um novo elemento a um dos capítulos mais íntimos da trajetória do pintor.

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