O ano era 1970. Os Beatles tinham oficialmente acabado. E no Brasil, o disco 'Milton', o quarto de Milton Nascimento, entrava nas lojas com uma baita abertura: "Para Lennon e McCartney".
Composta pelo jovem Lô Borges, com seu irmão Márcio e Fernando Brant, a música era um duro recado que ecoa até hoje como grito de resistência latino-americana.
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É claro que a turma do Clube da Esquina foi profundamente influenciada pela música dos Beatles. Em 2023, inclusive, Lô e Milton estiveram juntos no show de Paul McCartney.
Mas o recado de 'Para Lennon e McCartney' não era uma rejeição aos Beatles, mas o registro da disparidade entre periferia e centro: era a confrontação entre o fuzz das guitarras inspiradas pelo som do Norte e a letra que dizia "eu sou da América do Sul / Eu sei, vocês não vão saber”.
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"Sou do ouro, eu sou vocês/ Sou do mundo, sou Minas Gerais", diz um dos versos mais icônicos do eterno Lô Borges, que soube como poucos fazer uma música essencialmente brasileira.
Depois, McCartney declarou Milton um "lendário cantor e compositor brasileiro". E recomendo a leitura do texto "Milton Nascimento é tão grande quanto Paul McCartney; mas é da América do Sul", de Julinho Bittencourt, aqui nesta Fórum.
E relembre 'Para Lennon e McCartney', na voz de Nascimento e Borges: