Para quem quer conhecer mais da poesia brasileira contemporânea, que mergulha em temáticas cotidianas com uma sensibilidade experimental, aqui vai uma reunião de três obras pequenas e perfeitas para ler nas férias.
Todas publicações da Editora 7Letras, que nasceu no bairro carioca Jardim Botânico como uma pequena livraria "pioneira no sistema de impressão por demanda" e especializada em poesia, os livros reúnem estilos diferentes, com temas que vão do desejo à memória marginal da infância, das urbanidades à tradição da mitologia grega que serve como metáfora para a modernidade.
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Poemas — Heyk Pimenta
Créditos: Editora 7Letras/ divulgação
Em Poemas (2025), do jovem poeta mineiro-carioca Heyk Pimenta (nascido em 1987, em Manhuaçu - MG), que hoje vive no Rio de Janeiro, o leitor encontra uma seleção de quatro poemas e suas traduções para o inglês e o espanhol. A diferença no lirismo em três idiomas causa um efeito interessante, e os poemas parecem ganhar uma atmosfera própria em cada uma das línguas.
Os temas, descritos em linguagem coloquial e frases curtas e emblemáticas, como "saíram pra pagar a light" (em referência à empresa de energia do Rio de Janeiro, mas também um jogo de palavras com a sonoridade que remete a "apagar a luz"), vão de flashes da infância ao desejo de um amor passageiro, quando um casal "se passa doenças" e depois "nunca mais se fala".
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É uma poesia contemporânea e fácil de deglutir, mas com indícios de algo que perdura nas entrelinhas, como um desconforto de existir de forma apenas passageira, entre pessoas que vão embora sem apagar a luz.
O menor amor do mundo — Rafael Zacca
Nascido em 1987, no Méier (RJ), Rafael Zacca hoje é professor universitário no departamento de Filosofia da PUC-RIO, além de crítico de arte. Publicado em 2020 pela 7Letras, O menor amor do mundo combina um estilo filosófico com referências entre amor, desejo e mitos gregos, que dialogam com a figura do Eros dos textos clássicos.
Em poemas como “O banquete no Codorna do Feio”, ele encontra na veia filosófica da sua formação a problemática dos diálogos platônicos, com vozes e perspectivas dissonantes. A poesia dele une cultura contemporânea dos subúrbios e periferias cariocas à arte visual de Paul Klee, o pintor e poeta expressionista suíço-alemão, e reúne conceitos tradicionais do amor para reintroduzir a temática do corpo e do desejo como matéria de poesia.
Muito prazer, Ricardo — Chacal
Pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, nascido em 24 de maio de 1951, no Rio de Janeiro, Chacal é um dos nomes centrais da chamada geração “poesia marginal” dos anos 1970 no Brasil. A obra “Muito Prazer, Ricardo” foi publicada originalmente em 1971/72, de forma mimeografada, e ganhou edições posteriores, como a da Editora 7Letras, comemorativa dos 25 anos de sua publicação original.
Os poemas de Chacal têm uma dimensão de sensibilidade baseada em jogos de palavras e versos curtos e diretos, que o leitor precisa, às vezes, se esforçar para fazer sentido. só quero o que ainda o que atiça o impraticável o incrível não quero o que sim o que sempre o sabido o cabível eu quero o outro