LITERATURA

Três livros de poetas brasileiros contemporâneos para ler nas férias

Para quem quer conhecer mais da poesia brasileira contemporânea, que mergulha em temáticas cotidianas com uma sensibilidade experimental, aqui vai uma reunião de três obras pequenas e perfeitas para ler nas férias

Paul Klee - Gato e Pássaro (1928).Créditos: divulgação
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Para quem quer conhecer mais da poesia brasileira contemporânea, que mergulha em temáticas cotidianas com uma sensibilidade experimental, aqui vai uma reunião de três obras pequenas e perfeitas para ler nas férias.

Todas publicações da Editora 7Letras, que nasceu no bairro carioca Jardim Botânico como uma pequena livraria "pioneira no sistema de impressão por demanda" e especializada em poesia, os livros reúnem estilos diferentes, com temas que vão do desejo à memória marginal da infância, das urbanidades à tradição da mitologia grega que serve como metáfora para a modernidade.

Poemas — Heyk Pimenta


Créditos: Editora 7Letras/ divulgação

Em Poemas (2025), do jovem poeta mineiro-carioca Heyk Pimenta (nascido em 1987, em Manhuaçu - MG), que hoje vive no Rio de Janeiro, o leitor encontra uma seleção de quatro poemas e suas traduções para o inglês e o espanhol. A diferença no lirismo em três idiomas causa um efeito interessante, e os poemas parecem ganhar uma atmosfera própria em cada uma das línguas.

Os temas, descritos em linguagem coloquial e frases curtas e emblemáticas, como "saíram pra pagar a light" (em referência à empresa de energia do Rio de Janeiro, mas também um jogo de palavras com a sonoridade que remete a "apagar a luz"), vão de flashes da infância ao desejo de um amor passageiro, quando um casal "se passa doenças" e depois "nunca mais se fala".

É uma poesia contemporânea e fácil de deglutir, mas com indícios de algo que perdura nas entrelinhas, como um desconforto de existir de forma apenas passageira, entre pessoas que vão embora sem apagar a luz.

O menor amor do mundo — Rafael Zacca

Créditos: Editora 7Letras/ divulgação

Nascido em 1987, no Méier (RJ), Rafael Zacca hoje é professor universitário no departamento de Filosofia da PUC-RIO, além de crítico de arte. Publicado em 2020 pela 7Letras, O menor amor do mundo combina um estilo filosófico com referências entre amor, desejo e mitos gregos, que dialogam com a figura do Eros dos textos clássicos.

Em poemas como “O banquete no Codorna do Feio”, ele encontra na veia filosófica da sua formação a problemática dos diálogos platônicos, com vozes e perspectivas dissonantes. A poesia dele une cultura contemporânea dos subúrbios e periferias cariocas à arte visual de Paul Klee, o pintor e poeta expressionista suíço-alemão, e reúne conceitos tradicionais do amor para reintroduzir a temática do corpo e do desejo como matéria de poesia.

Muito prazer, Ricardo — Chacal

Créditos: Editora 7Letras/ divulgação

Pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, nascido em 24 de maio de 1951, no Rio de Janeiro, Chacal é um dos nomes centrais da chamada geração “poesia marginal” dos anos 1970 no Brasil. A obra “Muito Prazer, Ricardo” foi publicada originalmente em 1971/72, de forma mimeografada, e ganhou edições posteriores, como a da Editora 7Letras, comemorativa dos 25 anos de sua publicação original.

Os poemas de Chacal têm uma dimensão de sensibilidade baseada em jogos de palavras e versos curtos e diretos, que o leitor precisa, às vezes, se esforçar para fazer sentido. só quero o que ainda o que atiça o impraticável o incrível não quero o que sim o que sempre o sabido o cabível eu quero o outro

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