FÓRUM ONZE E MEIA

Zé de Abreu: "É muito difícil entender um artista ser bolsonarista"

Ator ainda acredita que bolsonarismo está acabando: "não houve reação à prisão do ex-presidente"

Aator José de Abreu.Créditos: Danillo Oliveira/Prefeitura de Maricá
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O ator José de Abreu foi o convidado do Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (1°) e falou sobre política e arte e como não consegue entender o apoio de alguns artistas a políticos de extrema direita. Conhecido para além de suas atuações em produções nacionais importantes, Abreu também é reconhecido por seus posicionamentos políticos. O ator teve forte atuação durante a campanha eleitoral de 2018 contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e é um grande admirador e amigo pessoal do presidente Lula (PT). 

Abreu considera "muito difícil entender um artista ser bolsonarista". Ele cita, por exemplo, a briga que teve com o vocalista Roger Miranda, da bancada Ultraje a Rigor, no X (na época, Twitter) pelos posicionamentos direitistas do músico. O ator afirma que não entendia como um rockeiro poderia ser de direita, já que o rock sempre foi um "símbolo revolucionário"

"[O rock] era romper, era o cabelo comprido, era usar jeans ao invés de calça com vinco, usar tênis ao invés de um sapato de couro, sentar no chão em vez de sentar no sofá", relembra Abreu. "O rock foi uma revolução comportamental da minha geração. Aí você vê um roqueiro de direita, parece que não cabe, é uma contradição", acrescenta. 

O ator também comenta que, para ele, o bolsonarismo está acabando, e isso fica evidente diante da falta de reação à prisão de Bolsonaro. "Bolsonaro finalmente, depois de dois anos de julgamento dentro das regras democráticas, está preso e, ao contrário do que todo mundo pensou, não houve reação popular nenhuma", afirma Abreu. 

Ele cita o ato deste domingo (30), realizado em frente ao Museu Nacional da República, em Brasília, que reuniu somente 130 pessoas. 

Tornozeleira

Abreu também comentou sobre o caso da tornozeleira de Bolsonaro, que tentou romper o equipamento e acabou sendo preso de forma preventiva no dia 22 de novembro. O ator afirmou que tentou reproduzir a ação que o ex-presidente teria feito para romper a tornozeleira e chegou à conclusão de que seria impossível a própria pessoa que utiliza o equipamento fazer o que Bolsonaro teria feito sozinho. 

De acordo com a investigação, o ex-presidente tentou violar a tornozeleira com ferro de solda para queimar o cordão do equipamento. "Quando a caixa está embaixo, não tem como você enxergar a tua própria perna e conseguir fazer aqueles furinhos. Eu quero ver o relatório detalhado da perícia. Eu quero ver quantos furinhos tinha lá e quanto tempo demora para fazer aqueles furos", afirma Abreu. 

Além disso, o ator ainda ressalta que devem ter colocado algo para proteger a perna de Bolsonaro do calor do ferro de solda.  "Ele não ia arriscar rodar e bater na perna. Parece que são de 200 a 400 graus. Aquilo ia queimar a perna dele toda. Obviamente foi feito por uma terceira pessoa", diz. 

Como mostrou a Fórum, o irmão de Bolsonaro que dormiu em sua residência no dia da tentativa de romper com a tornozeleira, Guido Bolsonaro, já teve uma empresa de prestação de serviços de manutenção e conserto de equipamentos eletroeletrônicos. 

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Confira a entrevista completa do ator Zé de Abreu ao Fórum Onze e Meia 

 

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