Uma das regiões mais isoladas da Ásia Central, localizada a mais de 3.500 metros de altitude (com picos que podem atingir 7.000 metros), o Planalto de Pamir se estende por uma cadeia de montanhas e glaciares entre os territórios do Tajiquistão, Quirguistão, Afeganistão e China.
Considerada uma das áreas de maior altitude do planeta, com grande parte do território situada no leste do Tajiquistão, na região autônoma de Gorno-Badakhshan (GBAO), a área integra uma zona orogênica conhecida como “Pamir Knot”, que conecta importantes cadeias montanhosas da Ásia, como o Himalaia.
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Nessa região está localizado o Glaciar Fedchenko, com cerca de 77 km de extensão, o maior glaciar de vale fora das regiões polares.
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O terreno apresenta infraestrutura limitada, com baixas temperaturas, ar rarefeito e pouca precipitação. A vegetação consiste em estepes de altitude, com gramíneas adaptadas à tundra alpina nas partes mais elevadas. O solo pedregoso e as condições climáticas desfavoráveis fazem dos Pamir uma área de baixo potencial agrícola e reduzida biodiversidade.
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Apesar disso, a região — que recebeu o apelido de “teto do mundo” — é relativamente habitada: no GBAO, no sudeste do Tajiquistão, a província formada por cadeias montanhosas, que representa cerca de 40% do território nacional, abriga mais de 230 mil habitantes, o equivalente a aproximadamente 2,5% da população tadjique.
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A economia local é marcada pela produção de subsistência em pequenas áreas irrigadas nos vales, além do pastoreio de ovelhas e iaques, que representam uma importante fonte de renda. Mais de 40% da população economicamente ativa depende dessas atividades e de pequenas faixas de solo fértil, onde são cultivados batata, trigo, cevada e hortaliças.
Mas, segundo o governo do Tajiquistão, até 60% da renda das famílias que vivem nos Pamir provém de remessas enviadas por trabalhadores imigrantes, sobretudo da Rússia.
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As casas tradicionais no Planalto do Pamir, que abrange partes do Tajiquistão, Afeganistão, Quirguistão e China, têm como característica a arquitetura vernacular, adaptada ao clima rigoroso e ao ambiente montanhoso.
As construções utilizam materiais naturais e acessíveis na região, como pedra, madeira e, em algumas áreas, barro. No entantoo, a escassez de árvores em grandes altitudes dita o uso predominante de pedra para as paredes; e, embora muitas comunidades sejam sedentárias e vivam em casas de pedra, em partes do planalto, onde o pastoreio de ovelhas é a principal fonte de renda, pode haver também habitações temporárias ou nômades, como as tendas (os yurts).
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A principal via de acesso à região se dá via a Pamir Highway (M41), estrada construída na década de 1930 pela União Soviética e uma das mais altas do mundo, com trechos que podem atingir acima de 4.600 metros de altitude. Ela integra rotas históricas que remontam à antiga Rota da Seda chinesa, e, por ela, é possível acessar também as regiões vizinhas do Afeganistão, Uzbequistão e Quirguistão.
Os Pamir estão em uma zona tectonicamente ativa, sujeita a terremotos e deslizamentos frequentes. O derretimento dos glaciares, especialmente com o avanço do aquecimento global, aumenta os riscos e torna a área uma das menos exploradas da Ásia Central. Mais de 20% das famílias que habitam as montanhas não têm fornecimento elétrico contínuo durante os meses de inverno, e a taxa de pobreza ultrapassa os 30%.