MOMENTO HISTÓRICO

Ana Maria Gonçalves faz história como primeira mulher negra na ABL

Autora do premiado Um Defeito de Cor, escritora mineira foi eleita com 30 dos 31 votos e se torna também a mais jovem entre os atuais imortais da Academia Brasileira de Letras

Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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A escritora Ana Maria Gonçalves foi eleita para a cadeira 33 na Academia Brasileira de Letras (ABL), nesta quinta-feira (10). Ela é a primeira mulher negra a integrar a ABL, em 128 anos.

Com 55 anos, a autora de Um Defeito de Cor é a mais jovem entre os atuais imortais da ABL. A eleição teve início às 16h, culminando na vitória de Gonçalves, que emplacou 30 dos 31 votos. Concorriam com ela Eliane Potiguara, Ruy da Penha Lobo, Wander Lourenço de Oliveira, José Antônio Spencer Hartmann Júnior, Remilson Soares Candeia, João Calazans Filho, Célia Prado, Denilson Marques da Silva, Gilmar Cardoso, Roberto Numeriano, Áurea Domenech e Martinho Ramalho de Melo.

“Escritora, roteirista e dramaturga, ela é autora do aclamado romance Um Defeito de Cor, vencedor do Prêmio Casa de las Américas (2007) e eleito como o melhor livro de literatura brasileira do século 21 por um júri da Folha de S.Paulo. A obra também inspirou o samba-enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024, no Rio de Janeiro”, descreveu a ABL ao anunciar a vitória de Ana Maria Gonçalves.

Veja a publicação:

Mais sobre Ana Maria Gonçalves

Nascida em 13 de fevereiro de 1970 em Ibiá (Minas Gerais), Ana Maria Gonçalves iniciou sua trajetória na escrita ainda na adolescência, mas entrou formalmente no mundo profissional como publicitária em São Paulo, onde atuou por cerca de 13 anos. 

É autora dos títulos Ao Lado e à Margem Do Que Sentes Por Mim, e Um Defeito de Cor, lançado em 2006, e do qual falou exclusivamente à Fórum no ano passado.

A obra é fruto de cinco anos de pesquisa e escrita, que narra a trajetória da africana Kehinde desde o Reino do Daomé até sua liberdade no Brasil e retorno à África, e conquistou o Prêmio Casa de las Américas em 2007, foi catalogada pela Folha de S.Paulo como o melhor livro brasileiro do século XXI, e em 2024 inspirou o enredo da Portela no Carnaval carioca, o que impulsionou suas vendas para cerca de 180 mil exemplares e distribuiu 30 edições até meados de 2025.

Veja a íntegra da publicação da ABL:

"Temos a satisfação de anunciar Ana Maria Gonçalves como nossa mais nova Acadêmica. Ela é a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras em 128 anos e também a mais jovem do atual quadro de imortais.

Eleita nesta quinta-feira, 10 de julho, com 30 votos de um total de 31 possíveis, Ana Maria ocupará a cadeira 33, vaga desde o falecimento de Evanildo Bechara (1928–2025).

Escritora, roteirista e dramaturga, ela é autora do aclamado romance “Um defeito de cor”, vencedor do Prêmio Casa de las Américas (2007) e eleito como melhor livro de literatura brasileira do século XXI por júri da Folha de S.Paulo.

Com sólida atuação no Brasil e no exterior, foi escritora residente em instituições como Tulane, Stanford e Middlebury, nos EUA. Tem se destacado pela difusão de debates sobre literatura e questões raciais, além de atuar como professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais
".

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