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06 de julho de 2019, 15h12

A vida e obra do cantor americano Sixto Rodrigues resgatada pelos fãs sul-africanos

Sixto Rodrigues gravou dois álbuns excelentes. Além disso, o documentário “Searching for Sugar Man” conta em detalhes a sua trajetória emocionante e inusitada

Foto: Divulgação

A vida de Sixto Rodrigues, também conhecido como Jesús Rodrigues ou apenas Rodrigues é, sem sombra de dúvidas, uma das histórias mais fantásticas que a canção pop já produziu. Ele é um grande compositor, cantor e violonista americano de ascendência mexicana, que foi descoberto tocando em uma espelunca à beira de um rio em Detroit, no estado de Michigan, EUA.

A sua música por vezes lembra Bob Dylan, em outras o irlandês Van Morrison entre outros artistas do gênero. Suas composições têm melodias angulosas, letras secas, construídas com frases diretas que falam de personagens e locais obscuros e improváveis.

Gravou dois álbuns, “Cold Fact”, em 1970 e “Coming from Reality”, em 1971. Apesar de todas as apostas dos produtores de que seriam um grande sucesso, foram retumbantes fracassos de vendas, apesar de receberem elogios esporádicos da crítica.

Sixto, chamado assim por ser o sexto irmão Rodrigues, submergiu de volta à vida de trabalhador braçal, se virando em obras como pedreiro, carpinteiro entre outras funções. Seus produtores passaram décadas tentando achar em vão algum motivo para o fracasso inexplicável.

Seus discos, no entanto, foram parar do outro lado do Atlântico, na África do Sul e, por um desses golpes do destino, acabaram virando febre. Entrevistados contam que, no início da década de 70, as casas de todos os jovens da Cidade do Cabo tinham basicamente três discos obrigatórios: o “Abbey Road”, dos Beatles; “Bridge Over Troubled Water”, da dupla Simon & Garfunkel e, por incrível que possa parecer, “Cold Fact”, de Sixto Rodriguez.

A sua música caiu como uma bomba, sobretudo e surpreendentemente, na juventude africânder oprimida pelo regime do apartheid de Pieter Botha. “Sugar Man”, segundo contam, virou um hino de desacato ao estado policial que, não só apartava e assassinava os negros, como também oprimia moralmente a juventude branca.

O mais curioso é que nem Sixto, nem sua gravadora e produtores, desconfiavam de todo este sucesso no país africano. Seus discos eram reproduzidos aos montes em fitas cassete. Uma raridade na América, foram posteriormente editados no país, em uma transação fonográfica mal explicada até hoje. O fato é que o autor jamais recebeu direitos por aquela vendagem.

Sixto, por sua vez, em mais um dos mistérios que envolvem sua vida, era dado na África do Sul como morto, de maneira trágica, imolado em pleno palco. Para resumir a história, fãs sul-africanos o localizaram décadas depois, levando a sua vidinha de trabalhador nos EUA. Foi feito contato e, um incrédulo pop star, acabou desembarcando de um voo na Cidade do Cabo, em 1998, onde foi recebido por três limusines brancas e fez vários shows lotados.

Sua história, inclusive com imagens destes shows, está contada em detalhes no documentário “Searching for Sugar Man”, realizado e escrito por Malik Bendjelloul. O sucesso do filme acabou revitalizando de vez e tardiamente a carreira de Sixto, que hoje está com 77 anos. Seus dois álbuns foram reeditados e a trilha do documentário acabou virando um terceiro disco.

No final das contas, não fosse pelos fãs sul-africanos, a excelente obra de Sixto Rodrigues, assim como a de tantos outros artistas espalhados pelo mundo, estaria hoje completamente esquecida.


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