Academia Brasileira de Letras solta nota de repúdio à queima de livros de Paulo Coelho

A nota da academia lembra que “dar fogo aos livros traduz um símbolo de horror. Evoca um passado de trevas”

A Academia Brasileira de Letras soltou nota, nesta quinta-feira (1), onde repudia de maneira veemente o gesto “incivil” da queima dos livros do Acadêmico Paulo Coelho por um casal, em vídeo compartilhado pelo próprio escritor, nesta terça-feira.

A nota da academia lembra que “dar fogo aos livros traduz um símbolo de horror. Evoca um passado de trevas. Como esquecer a destruição das bibliotecas de Alexandria e Sarajevo, os crimes de Savonarola e as práticas do nacional-socialismo?”.

A Academia afirma ainda que “o Brasil precisa de livros, bibliotecas e leitores. A linguagem do ódio é redundante e perigosa. Devemos promover, sem hesitação, os marcos civilizatórios e a cultura da tolerância”.

No vídeo, o sujeito, com um bigode parecido com o do ditador alemão Adolf Hitler, conforme observação do escritor, joga as páginas na churrasqueira.

Enquanto queima o exemplar, a mulher avisa que este já é o décimo livro de Paulo Coelho que ela queima.

“Não. Primeiro compraram, depois queimaram. E o bigodinho do cara não deixa esconder a origem da ideia…”

Veja a nota da ABL na íntegra abaixo:

A Academia Brasileira de Letras sempre lutou pela defesa e difusão do livro em nosso país.

Ampliou intensamente sua missão durante a pandemia, multiplicando esforços, ampliando protocolos e abrindo frentes de diálogo para amainar as dores do presente, levando o livro aos rincões mais distantes do Brasil. Optou, dentre outros, pelos povos indígenas e quilombolas, comunidades carentes e ribeirinhos da Amazônia, bibliotecas comunitárias, hospitais, centros de formação e lares de longa permanência.

Assim, pois, a Academia Brasileira de Letras não poderia não repudiar, com veemência, o gesto incivil da queima dos livros do Acadêmico Paulo Coelho, a quem prestamos solidariedade.

Dar fogo aos livros traduz um símbolo de horror. Evoca um passado de trevas. Como esquecer a destruição das bibliotecas de Alexandria e Sarajevo, os crimes de Savonarola e as práticas do nacional-socialismo?

O Brasil precisa de livros, bibliotecas e leitores. A linguagem do ódio é redundante e perigosa. Devemos promover, sem hesitação, os marcos civilizatórios e a cultura da tolerância.

01/10/2020

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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