Aos 73 anos, Chico Buarque lança mais uma canção digna de seu nome. Ouça aqui

“Tua Cantiga” foi composta em parceria com Cristóvão bastos, o mesmo de “Todo Sentimento”.

“Tua Cantiga” foi composta em parceria com Cristóvão Bastos, o mesmo de “Todo Sentimento”.

Por Julinho Bittencourt

Chico Buarque lançou, nesta sexta-feira (28), no Youtube, “Tua Cantiga”, a primeira canção do seu novo álbum, “Caravanas”. A música, feita em parceria com o pianista Cristóvão Bastos, é digna dos melhores momentos do profícuo compositor.

Bastos, só pra lembrar, é o parceiro de Chico em outra obra-prima, a canção “Todo o Sentimento”, de 1987. Desta vez, com melodia um tanto mais simples, quase um cânone, mas de uma beleza desconcertante, a canção cresce feito um sopro nas promessas de amor eterno do interlocutor:

“Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro que eu vou ligeiro te consolar”

Logo mais adiante, num dos seus versos mais lindos, Chico sobrepõe a distância, o tempo e até a possibilidade de outros amores na vida da musa para desfechar:

“Se tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço que eu te alcanço em qualquer lugar”

Ao final, no seu tema mais recorrente, o verso nos remete a “Futuros Amantes” e assina a canção com o traço eterno do Chico:

“E quando nosso tempo passar, quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega, desta cantiga que fiz pra ti”.

Ouça “Tua Cantiga” e leia a letra na íntegra abaixo.

“Tua Cantiga”

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro que eu vou ligeiro te consolar
Se teu vigia se alvoroçar
Estrada fora te conduzir
Basta soprar meu nome com teu perfume pra me atrair
Se tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço que eu te alcanço em qualquer lugar

Quando teu coração suplicar
Ou quando o teu capricho exigir
Largo mulher e filhos e de joelhos vou te seguir
Na nossa casa, serás rainha
Serás cruel talvez
Faz fazer manha, me aperriar
E eu sempre mais feliz
Silentemente vou te deitar
Na cama que arrumei
Pisando em plumas toda manhã
Eu te despertarei

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro que eu vou ligeiro te consolar
Se teu vigia se alvoroçar
Estrada fora te conduzir
Basta soprar meu nome com teu perfume pra me atrair
Entre suspiros pode outro nome dos lábios te escapar
Terei ciúme até de mim
No espelho a te abraçar
Mas teu amante sempre serei mais do que hoje sou
Com estas rimas não escrevi nem ninguém nunca amou

Se tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço que eu te alcanço em qualquer lugar
E quando nosso tempo passar, quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega, desta cantiga que fiz pra ti

 

 

 

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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Renato Rovai
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