sábado, 24 out 2020
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Após discurso nazista, Kleber Mendonça questiona: “Como é que a gente que trabalha com ficção fica?”

O cineasta Kleber Mendonça Filho, que em 2019 lançou o premiado filme Bacurau, comentou de forma irônica, nesta sexta-feira (17), o episódio do vídeo nazista do ex-secretário Roberto Alvim, chefe da Cultura no governo Bolsonaro.

“Eu só quero saber como é que a gente que trabalha com ficção fica”, disse o diretor. A postagem veio pouco depois de Mendonça “celebrar” o fato do nazismo “voltar” a ser entendido como extrema-direita no Brasil. “No estranho mundo chamado Brasil, o nazismo finalmente voltou a ser de extrema-direita”, publicou.

Mais cedo ele havia feito duas publicações em inglês sobre o caso. “Um comunicado divulgado ontem à noite por um funcionário de alto escalão do que resta do Departamento Cultural do governo de Bolsonaro fedia a doenças mentais ao dirigir o país ao som de WAGNER em segundo plano e prometer uma nova era na cultura brasileira, copiando a palavra por palavra, um discurso proferido por J Goebbels na Alemanha, no final da década de 1930”, tuitou.

“Realmente parece que tristes palhaços armados tomaram conta deste navio”, disse ainda. “Aparentemente o nazista acabou de ser demitido. Que hospício”, completou.

Ele ainda criticou o convite que Bolsonaro teria feito à atriz Regina Duarte para a secretaria. “O caos reina”, tuitou.

Roberto Alvim e Goebbels

O ex-secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, perdeu seu cargo após explicitar a correlação de seu projeto cultural com as iniciativas de propaganda nazistas em vídeo publicado nas redes sociais com o objetivo de divulgar o Prêmio Nacional das Artes, apresentado horas antes em live com a participação do próprio presidente. Na gravação ele usou uma frase do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, e adotou toda uma estética similar à usada pelos nacionais-socialistas – incluindo trilha sonora de Ópera exaltada por Aldolf Hitler.

Redação
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