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18 de julho de 2019, 18h19

As consequências para o mercado audiovisual com o fim da Ancine pelo governo Bolsonaro

Estima-se que cerca de 300 mil pessoas sejam afetadas com o fechamento da agência; Atualmente, o audiovisual brasileiro gera R$ 25 bilhões ao ano, o que equivale a 0,46% do PIB

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro planeja anunciar nesta sexta-feira (19) o fim da Agência Nacional de Cinema (Ancine). O órgão atualmente é ligado ao Ministério da Cidadania e tem um orçamento previsto para este ano de R$ 724 milhões. Em um dos seus últimos editais foram habilitados 91 projetos, de 21 distribuidoras e de 66 produtoras.

O presidente da República tem demonstrado que não está satisfeito com os rumos da Ancine e diz que fará modificações radicais nela, projetando até o encerramento das suas atividades. Outra ação pode ser a transferência do Conselho Nacional do Audiovisual, que formula as políticas para o setor, para o Palácio do Planalto.

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Um dos motivos que levaram à insatisfação de Bolsonaro foi o repasse de R$ 3 milhões para o reality show “Born to Fashion”, que acompanharia a rotina de modelos transexuais ingressando no universo da moda. A disputa de cargos na área da cultura dentro do governo federal também tem incomodado o presidente.

Legado

Criada em 2001, a Ancine tem como legado a formulação da Lei da TV Paga, que criou mecanismos de fomento à produção nacional. Porém, a agência está em crise e com problemas desde o ano passado com o Tribunal de Contas da União, devido à prestação de contas de alguns projetos. Recursos para novos projetos foram suspensos no início do ano e só foram liberados em maio.

Sem a atuação da Ancine, a previsão que a produção audiovisual brasileira sofra ainda mais uma série crise. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas sejam afetadas com o seu fechamento. Dados de 2016, mostram que o setor cresceu 153% em oito anos e que a remuneração dos profissionais era 64% maior do que em outras áreas. Atualmente, o audiovisual brasileiro gera R$ 25 bilhões ao ano, o que equivale a 0,46% do PIB. Esses números superam o do setor farmacêutico, por exemplo.


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