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13 de setembro de 2019, 16h15

Beatles, Adorno, Olavo de Carvalho e sua pseudofilosofia de botequim

Enquanto o país afunda em crises e supressão de direitos, o guru da família Bolsonaro ensina como manter a mídia ocupada com as suas bobagens

Foto: Montagem/Reprodução

É óbvio que Olavo de Carvalho sabe que a terra não é plana. Assim como é obvio também que ele sabe que não foi Theodor Adorno quem compôs as canções dos Beatles. Nesta premissa, ele reproduz afirmação do escritor holandês Robin de Ruiter, que segundo Carvalho ainda está para ser conferida.

O tal Ruiter é um charlatão especialista em teorias da conspiração. Formado em teologia e história, começou a fazer sucesso ao publicar livros como “As 13 linhagens satânicas – A causa de muita miséria e mal na terra” e “George W. Bush e o mito da al-Qaeda – O poder oculto por trás dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001”, entre outras pérolas.

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Olavo de Carvalho, por sua vez, é outro charlatão, dado a malcriações públicas, conceitos estapafúrdios insustentáveis e, talvez por isso mesmo, tenha se tornado, como todos sabem, o guru da família Bolsonaro.

Posto isto, o curioso de todo esse imbróglio é Carvalho ter usado justamente Adorno, um dos maiores críticos contemporâneos da cultura de massa do século 20, incluindo aí os Beatles, para, não só corroborar, mas também apontá-lo como tendo sido ele o criador da pobre obra do famoso quarteto. O conceito de pobreza cultural dos Beatles e congêneres talvez seja o único ponto de convergência entre o discurso dos dois.

De acordo com matéria recente de O Globo, em uma entrevista à revista “Akzente” resgatada pelo “Guardian”, Adorno chegou a afirmar sobre os Beatles: “o que essas pessoas têm a oferecer é algo retardado em termos de seu próprio conteúdo objetivo”.

Apontar o filósofo e sociólogo, fundador da Escola de Frankfurt, como autor de canções como “She Loves You”, “Yesterday” entre outras é apenas uma piada, sem graça nem pé nem cabeça, mas uma piada e nada mais.

O fato é que Carvalho fala a cântaros sobre coisas que a imensa maioria da população, e provavelmente nem mesmo ele, sabem do que se trata. E isso se aplica não só a Adorno, mas também aos Beatles. O que ele faz, e nisso é especialista, se baseia no conceito de Max Horkheimer, colega de Adorno da Escola de Frankfurt, descrito em sua obra “A Eclipse da Razão”.

O pensador de Bolsonaro parece seguir à meia distância os marxistas culturais que ele tanto condena. A partir disto, despeja impropérios e bobagens – e aconselha que seus seguidores também o façam – ocupando quem se ocupa de informações com essas mesmas bobagens, criando um círculo vicioso, enquanto a caravana de maldades e supressão de direitos segue ao largo.

Melhor fariam todos, inclusive eu aqui, que não gastássemos mais uma linha com Carvalho e sua pseudofilosofia de botequim. O mesmo com os seus seguidores. Estes, ao menos por enquanto, seguem impossíveis de ser ignorados. Mas o dia não tarda.


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