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06 de setembro de 2019, 09h53

Bolsonaristas querem impor programação conservadora para a Cinemateca, chefiada por ex-secretário do PSL 

O deputado estadual Castello Branco (PSL) é um dos que tem frequentado reuniões na Cinemateca, em São Paulo, para debater nova agenda cultural para a instituição

Foto: Cinemateca

Militares e políticos bolsonaristas, como o deputado estadual Castello Branco (PSL-SP), têm frequentado a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, nos últimos meses para discutir eventos e programações conservadoras para a instituição. No último dia 14 de agosto, o deputado esteve em reunião no local junto com a cúpula do órgão, como o assessor especial Rodrigo Morais, ex secretário-geral do PSL e amigo do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

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Visitas dos militares à instituição caminha junto a outras práticas do governo de Jair Bolsonaro que afetam diretamente a diversidade na produção audiovisual do país. Organizações conservadoras vêm tendo discussões com representantes do governo federal sobre políticas para o cinema, como a Lei do Audiovisual e a composição do conselho do setor, propondo censuras em filmes considerados de temática “polêmica”.

No dia 28 de agosto, tais grupos debateram junto ao Ministério da Cidadania que temas considerados polêmicos pela agenda conservadora, como filmes que envolvam drogas e questões de gênero,“afugentam público” e reduzem o apelo comercial de filmes, por não poderem ser classificados como de censura livre. Por isso, na visão deles, esses temas deveriam ser evitados em produções incentivadas com recursos públicos.

Seguidor do guru bolsonarista Olavo de Carvalho, Rodrigo Morais é o principal responsável pelos projetos da instituição. Ele é conhecido por defender a tese de que a direita precisa combater a hegemonia cultural da esquerda, abrindo espaço para que a Cinemateca se torne ferramenta contra o chamado “marxismo cultural”.

A Cinemateca é a principal instituição responsável pela preservação e difusão do patrimônio audiovisual brasileiro. Subordinada ao Ministério da Cidadania, é administrada pela Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, a Acerp, assessorada por Morais. Esse modelo de gestão reúne características de gerenciamento privado para entidades públicas, mas não elimina a influência política sobre o órgão.

 

 


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