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05 de fevereiro de 2020, 10h13

Bruno Gagliasso sobre governo Bolsonaro: “A gente está numa época em que não existe se calar”

Ator falou sobre racismo ao lado da esposa grávida, Giovanna Ewbank, que afirmou que a adoção dos filhos Titi e Bless, que nasceram na África, a tirou da bolha de privilégios em que vivia

Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank e os filhos, Titi e Bless (Reprodução/Intagram)

Pais de Titi e Bless, duas crianças negras adotadas, o casal de artistas Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, que estão grávidos, se emocionaram ao falar do racismo que os filhos encontram na sociedade e defenderam uma posição da classe artística frente ao autoritarismo do governo Jair Bolsonaro.

“A gente está numa época em que não existe se calar. Então tem que falar, principalmente nós que somos artistas, porra! Qual é a nossa função? Discutir, fazer as pessoas pensarem, levantar discussões. Quem não se posiciona, já está se posicionando. Ficar quieto é não existir ou deixar escolherem por você o que você é”, disse Bruno em entrevista à revista GQ, divulgada nesta quarta-feira (5).

Giovanna diz que a adoção de Titi, a primeira filha, e depois de Bless, o segundo filho, que nasceram no Malaui, África, a tirou da bolha de privilégios em que vivia.

“Não tenho vergonha de dizer que por um tempo vivi numa bolha. Minha filha me tirou dela. Foi ela que abriu meus olhos para o mundo. Foi com ela que comecei a me preocupar com certas coisas que não prestava atenção antes. E sigo aprendendo com eles”, disse a atriz, que se emocionou ao falar sobre o racismo que os filhos enfrentam.

“Esse filho já nasce privilegiado. As conversas que a gente vai ter com ele não vão ser as mesmas que vamos ter com nossos filhos negros. Isso é uma coisa que me deixa muito mal. Fico preocupada com eles. Por que com um filho que é branco a gente não vai precisar ter conversas tão duras como as que a gente vai ter com nossos filhos negros? Por quê?”.

Após a declaração da esposa, Gagliasso lembrou de uma frase de seu personagem, o delegado e torturados da ditadura Lúcio, no filme Marighella. “Se eu mato preto, por que eu não posso matar vermelho?”.

Leia a entrevista na íntegra

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