Após governo abandonar Cinemateca, Mário Frias diz que incêndio é “herança maldita do PT”

Em agosto de 2020, a mando do presidente, a PF foi à sede da Cinemateca e tomou as chaves da instituição. Desde então, o local está fechado e sem funcionários trabalhando

Mário Frias, o secretário de Cultura do governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), afirmou em suas redes sociais, nesta sexta-feira (30), que o incêndio de um galpão na Cinemateca, na noite desta quinta-feira, “é uma das heranças malditas do governo apocalíptico do petismo”.

Apesar de Bolsonaro ter encerrado as atividades da Cinemateca, em agosto de 2020 (leia mais abaixo), Frias disse ainda que os governos petistas destruíram “todo o estado para rapinar o dinheiro público e sustentar uma imensa quadrilha de corrupção e sujeira criminosa”.

“Não tivessem feito isto, teríamos verba para criar mil novas Cinematecas”, encerra ele.

Abandono

O órgão, no entanto, atravessa uma severa crise financeira e foi abandonado pelo governo Bolsonaro. Em agosto de 2020, a mando do presidente, a Polícia Federal foi à sede da Cinemateca e tomou as chaves da instituição. Desde então, o local está fechado e sem funcionários trabalhando.

No fim do mesmo ano, o secretário especial de Cultura, Mário Frias, disse que seria publicado um edital para que uma Organização Social (OS) assumisse os trabalhos do órgão, o que até agora não foi feito.

Em abril de 2021, então, trabalhadores da Cinemateca divulgaram um manifesto em que denunciavam o descaso do governo Bolsonaro e alertavam sobre o risco de incêndios.

“A Cinemateca Brasileira segue fechada desde agosto de 2020, quando representantes do Ministério do Turismo retomaram as chaves da Organização Social que a geria. Desde então, não há corpo técnico contratado, o acervo segue desacompanhado e não há qualquer informação sobre suas condições. Por esse motivo, lançamos um alerta acerca dos riscos que correm o acervo, os equipamentos, as bases de dados e a edificação da instituição”, diz um trecho do documento, citando que “o risco de um novo incêndio é real”.

“Hoje, após quase oito meses sem treinamento das equipes de limpeza, segurança e bombeiros, sem técnicos especializados para acompanhamento do acervo, vivemos uma tragédia: a morte silenciosa de milhares de documentos únicos, filmes domésticos, cinejornais, telejornais, obras do cinema e da televisão. Tememos pela morte da memória social, histórica, cultural, cinematográfica e audiovisual brasileiras. A Cinemateca Brasileira é uma instituição complexa, que demanda constância de recursos e atuação de sua equipe técnica especializada. Perante o quadro atual, pleiteamos o imediato retorno dos trabalhadores a seus respectivos postos de trabalho, cuja experiência é crucial para a recuperação da instituição”, prosseguiram os trabalhadores à época.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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