segunda-feira, 21 set 2020
Publicidade

Companhia de teatro Pessoal do Faroeste é despejada de sua sede no centro de São Paulo

Os oficiais de Justiça chegaram ao local antes do início da distribuição de cestas básicas a cerca de mil famílias que a companhia de teatro faz desde o início da pandemia

A sede da companhia de teatro do Pessoal do Faroeste, localizada na Luz, em São Paulo, teve ordem de despejo executada no início da tarde desta quarta-feira (3).

O diretor e líder do grupo, Paulo Faria, informou que os oficiais de Justiça chegaram ao local às 13h30, antes do início da distribuição de cestas básicas a cerca de mil famílias que a companhia de teatro faz desde o início da pandemia (foto).

A companhia fez um grande ato para acompanhar a ação de despejo. Nesta terça-feira, foi amplamente divulgada pelas redes sociais mensagem de apoio e convocação para protesto contra o despejo. Veja abaixo a mensagem compartilhada por Rudifran Pompeu, da Cooperativa Paulista de Teatro:

“Turma, o Pessoal do Faroeste está sendo despejado e amanhã será o dia critico, onde o teatro será desmontado na sua totalidade. Estamos pedindo pra quem puder estar lá amanhã conosco, pra uma ação simbólica de resistência, que apareça às 11:30hs, pois a polícia vai chegar ao meio-dia… Quem puder por favor colar conosco na luta vai ajudar muito! Abraços.”

De acordo com Felipe Pan Chacon, diretor musical da companhia, “a ordem de despejo está em ação. Nesse momento, o vereador Eduardo Suplicy está tentando uma súplica frente ao juiz. Parece que o proprietário já se sensibilizou e está interessado em negociar, mas a máquina pública já colocou suas engrenagens para funcionar. Lutaremos até o último momento. Ainda há esperanças de que o prefeito também se sensibilize e abra o caminho para um decreto de utilidade pública. Ainda há esperanças”, disse.

O grupo, que atua na região da cracolândia, deve ao proprietário do sobrado na rua do Triunfo cerca de R$ 200 mil, referentes a um ano e meio de aluguéis não pagos.

O aviso de despejo foi recebido pela Pessoal do Faroeste em meados de agosto. Faria afirma que ele e seus colegas na companhia acreditavam estar protegidos da ameaça desde o último dia 20, porém, quando a Câmara dos Deputados derrubou o veto ao artigo que proibia despejos de inquilinos durante a pandemia.

No entanto, essa suspensão inclui ações ajuizadas a partir do dia 20 de março, quando foi declarado no país estado de calamidade pública por causa do coronavírus. Segundo Faria, a ação de despejo contra a companhia foi ajuizada em 8 de março.

Embora Faria tenha conseguido um acordo para transferir o material do teatro para o prédio anexo, onde funciona o Instituto Luz do Faroeste, militantes que atuam na região dizem que o dia mais crítico seria mesmo nesta quinta-feira, quando o teatro deve ser detonado.

Uma das poucas formas de reverter a decisão seria o prefeito Bruno Covas (PSDB) assinar um decreto sobre a possibilidade de o prédio ser um espaço do município – existe uma emenda de autoria do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) a respeito.

O despejo do grupo causou comoção nas redes. Vários artistas, público e simpatizantes do grupo postaram mensagens de apoio. Veja abaixo:

Tristeza…Dia de Luto. 🖤Tem um teatro sendo desmontado e despejado no meio dessa Pandêmia no centro de São Paulo….

Publicado por Renata Laurentino em Quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Uma cidade que despreza espaços históricos não é feita para pessoas se sentirem humanas, só números.Aqui, você não…

Publicado por Kleber Gutierrez em Quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Semana passada postei sobre o webdoc do Bom Retiro, e Paulo Faria do Pessoal do Faroeste foi uma…

Publicado por Alessandro Sbampato em Quinta-feira, 3 de setembro de 2020

dia de luto 🖤 Paulo Faria todo meu amor. esse lugar me acolheu, acolheu meu trabalho e minhas escolhas. ❤️ força e…

Publicado por Luíza Abe em Quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Julinho Bittencourt
Julinho Bittencourt
Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.