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12 de setembro de 2019, 16h48

Compositor erudito brasileiro Dimitri Cervo lança álbum através de projeto social da Venezuela

El sistema é gerido por um órgão estatal venezuelano responsável pela manutenção de mais de 125 orquestras (sendo 30 orquestras sinfônicas) e coros juvenis, e pela educação de mais de 350.000 estudantes, em 180 núcleos distribuídos por todo o país

Foto: Junior Careca/Divulgação

Através do movimento El Sistema (“O Sistema”), projeto visionário venezuelano criado pelo maestro José Antonio Abreu (1939-2018), o compositor e regente brasileiro Dimitri Cervo acaba de lançar o seu segundo CD, Música Sinfônica, reunindo obras compostas entre 1998 e 2012.

O álbum é fruto da vivência de Cervo com os músicos da Orquestra Sinfônica da Venezuela e com diversos personagens da sociedade venezuelana, no contexto de um país assolado por uma crise de vasta magnitude.

Foto: Divulgação

El Sistema é um modelo didático musical, idealizado e criado na Venezuela por José Antonio Abreu, que consiste em um sistema de educação musical pública, difuso e capilarizado, com acesso gratuito e livre para crianças e jovens adultos de todas as camadas sociais.

El sistema é gerido pela Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela (FESNOJIV), órgão estatal venezuelano responsável pela manutenção de mais de 125 orquestras (sendo 30 orquestras sinfônicas) e coros juvenis, e pela educação de mais de 350.000 estudantes, em 180 núcleos distribuídos por todo o país.

O sucesso desse projeto chamou a atenção do mundo. “Ao trabalhar com um grupo no qual os integrantes são oriundos do El Sistema pude sentir a força do legado do maestro Abreu: indivíduos imbuídos do espírito de comunhão, interdependência e solidariedade através da arte”, revela Cervo.

O Álbum

O álbum inicia com Abertura Brasil 2012 Bis, obra estreada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Leandro Carvalho, e uma das composições mais executadas do compositor. Para essa nova versão, bis, Cervo se inspirou nos aperfeiçoamentos que Beethoven realizou em sua abertura Leonora nº 3. Canauê, criada em 2007, é a nona e última obra da Série Brasil 2000, conjunto de obras para diversas forças instrumentais, na qual o compositor realiza uma síntese estética de elementos da música brasileira e do minimalismo.

O Concerto para Flauta e Cordas é a quinta obra da Série Brasil 2010, uma nova série de obras dedicada a concertos solistas com orquestra de cordas, de câmara ou sinfônica, com estética hibridizada a partir de diversas influências. Ele é interpretado no CD pelo flautista James Strauss.

Brasil Amazônico é a obra que inaugura a Série Brasil 2000, e foi apresentada pela primeira vez por Isaac Karabtchevsky e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Encerrando o CD, “Toronubá”, criada no ano de 2000, foi escrita em memória aos índios brasileiros que resistiram à invasão Europeia a partir de 1500. Foi estreada na versão para orquestra de câmara pelos maestros Lutero Rodrigues e Guilherme Mannis, e, em 2011, Cervo realizou a versão para grande orquestra, estreada pela Orquestra Municipal de São Paulo, com regência de Wagner Polistchuk.

O disco foi gravado por Danilo Alvarez, engenheiro de som vencedor do Grammy Latino em 2017, pelo disco Fiesta, com o maestro venezuelano Gustavo Dudamel. O CD Música Sinfônica já se encontra nas plataformas digitais, e em duas semanas recebeu mais de 12 mil audições no Spotify.


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