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23 de julho de 2018, 17h26

Conceição Evaristo: “É mais do que justa a presença de mulheres negras na ABL”

A escritora pode ser a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

A escritora Conceição Evaristo em mesa do Festival da Utopia, em Maricá (Foto: Thiago Lara/Divulgação)

Uma das mais reconhecidas escritoras negras do Brasil, Conceição Evaristo, participou neste domingo (22) do II Festival Internacional da Utopia, em Maricá (RJ), cidade onde ela vive atualmente, e aproveitou para defender sua candidatura à Academia Brasileira de Letras (ABL). “É mais do que justa a presença de mulheres e de mulheres negras na ABL”, disse.

Conceição recorreu à obra de Gilberto Freyre para explicar por que concorre à cadeira número 7 da Academia, vaga desde 21 de abril, com a morte do cineasta Nelson Pereira dos Santos. Ela ressaltou que embora Freyre seja lido com críticas por conta do mito da democracia brasileira, o autor trata da influência das culturas africanas na nação brasileira, sobretudo das mulheres.

“A diferença do português do Brasil e de Portugal se dá pela presença das línguas africanas. Ocorre principalmente pelas mulheres escravizadas, a mãe preta. As crianças aprendem a falar com essa mãe preta. É como se a mãe preta recebesse a língua portuguesa mastigasse e colocasse a língua mastigada na boca da criança”, comentou.

Conceição reforçou ainda a importância da representatividade da mulher negra na Academia. “Ora se as mulheres escravizadas dentro de casa tiveram a capacidade de influenciar um dos maiores bens simbólicos que é a língua. A representatividade da mulher negra brasileira não é favor.”

Aos 71 anos, a autora pode ser a primeira mulher negra na ABL em 120 anos. Uma das mais reconhecidas escritoras do país, Conceição nasceu e vivei até a década de 70 na favela do Pindura Saia, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro, fez mestrado, doutorado e se tornou escritora e professora universitária. Recebeu, em 2017, o Prêmio Govern o de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra. Conquistou o Prêmio Jabuti, em 2015, com “Olhos d’água”. É autora do romance “Ponciá Vicêncio” (2003), de “Becos da Memória”, entre outros. Uma petição on line em defesa de seu nome já soma mais de 20 mil assinaturas.

Poucas mulheres já ocuparam cadeiras na ABL. Veja quem são as mulheres-membras: Ana Maria Machado (Cadeira 1); Rachel de Queiroz (Cadeira: 5); Dinah Silveira de Queiroz (Cadeira: 7); Cleonice Berardinelli (Cadeira: 8); Rosiska Darcy de Oliveira (Cadeira: 10); Lygia Fagundes Telles (Cadeira: 16); Zélia Gattai (Cadeira: 23) e Nélida Piñon (Cadeira: 30).

A Academia informou que realizou sessão solene no dia 26 de abril onde declarou vaga a cadeira número 7. Os interessados em ocupá-la tinham dois meses para fazer suas inscrições. Em seguida, o presidente da ABL tinha mais 60 dias para marcar a eleição, o que deve acontecer em 26 de agosto.


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