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09 de dezembro de 2018, 16h52

Conheça a lista com as leituras mais recentes de Lula na prisão

Ex-presidente, que completou oito meses de cárcere na última sexta-feira (7), dedica boa parte de seu tempo à literatura e análise do Brasil

Foto: Reprodução/lula.com.br

Por lula.com.br

O ex-presidente Lula completou, na última sexta-feira (7), oito meses de prisão política. Desde que foi levado à sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula tem dedicado boa parte do tempo à leitura. Conheça a lista dos últimos livros que Lula leu no cárcere, com o objetivo de refletir a respeito do Brasil e do mundo.

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O Petróleo – Uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro (Daniel Yergin/Editora Paz Terra)  

Vencedor do prêmio Pulitzer, este livro traça a abrangente história do combustível mais importante do mundo. Colocando-o no centro das principais decisões do século XX, o especialista Daniel Yergin, referência internacional no assunto, mostra de que maneira o petróleo influenciou guerras, suscitou transformações tecnológicas e gerou as maiores riquezas do planeta. Nesta edição revista, ampliada e ilustrada, povoada por nomes como Churchill, Hitler, Stalin e Saddam Hussein, o leitor poderá encontrar também um epílogo com informações essenciais sobre o contexto brasileiro e as perspectivas do pré-sal.

A virtude da raiva – (Arun Gandhi/Editora Sextante) 

Nesta comovente história sobre o caminho da raiva para a não violência, você vai conhecer dez lições essenciais ensinadas por Mahatma Gandhi a seu neto Arun. Tratados com a leveza do olhar de um jovem, temas universais como formação da identidade, gerenciamento da raiva, depressão, solidão, amizade e família ganham a luz dos ensinamentos do maior líder pacifista de nosso tempo. Em “A virtude da raiva”, Arun Gandhi nos mostra como a compreensão e a luta pela justiça são a resposta tanto na hora de lidar com questões que parecem prosaicas e cotidianas, quanto frente aos principais problemas que assolam a política mundial. Este é um livro poderoso e profundo, com maravilhosos insights sobre como lidar com nossos maiores conflitos e viver com integridade e paz interior.

Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa/Editora Nova Fronteira)

Nesta obra de Guimarães Rosa, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parece pitoresco. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa. Encontramos em “Grande Sertão: Veredas” dimensões universais da condição humana – o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria – retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim.

Zelota: a vida e a época de Jesus de Nazaré (Reza Aslan/Editora Zahar)

Dois mil anos atrás, um pregador judeu atravessou a Galileia realizando milagres e reunindo seguidores para estabelecer o que chamou de ´Reino de Deus´. Assim, lançou um movimento revolucionário tão ameaçador à ordem estabelecida que foi capturado, torturado e executado como um criminoso de Estado. Seu nome era Jesus de Nazaré. Poucas décadas após sua morte, seus seguidores o chamariam de ´o filho de Deus´. O escritor e especialista em religião Reza Aslan mergulha na turbulenta época em que Jesus viveu, reconstruindo com maestria a Palestina do século I em busca do Jesus histórico. Ao fazê-lo, encontra um rebelde carismático que desafiava as autoridades de Roma e a alta hierarquia religiosa judaica – um dos chamados zelotas, nacionalistas radicais que consideravam dever de todo judeu combater a ocupação romana. Aslan descreve um homem cheio de convicção, paixão e contradições; e aborda as razões por que a Igreja cristã preferiu promover a imagem de Jesus como um mestre espiritual pacífico em vez do revolucionário politicamente conscientizado que ele foi. “Zelota” oferece uma nova perspectiva sobre aquela que talvez seja a história mais extraordinária da humanidade.

O lulismo em crise (André Singer/Companhia das Letras) 

Em “O lulismo em crise”, André Singer enfrenta o desafio de remontar o quebra-cabeça dos anos em que Dilma Rousseff foi presidente da república e apresenta uma interpretação original para o funcionamento do sistema político-partidário brasileiro. Com prosa límpida e argumentação rigorosa, Singer explica por que o afastamento de duas vigas estruturantes do arranjo lulista — a relação com o capital financeiro e com o PMDB, o “partido do interior” — teve custo tão alto. Onças foram cutucadas com varas curtas, sem que tivesse havido mobilização de bases sociais que apoiassem a continuidade do lulismo, em sua nova versão, de reformismo forte. Em processo simultâneo, a Lava Jato acabou por galvanizar apoio de significativas frações da sociedade, tornando-se decisiva na propagação das ondas antilulistas que levariam ao impeachment. Reconstruindo de maneira minuciosa o que chama de ensaio desenvolvimentista e ensaio republicano tentados por Dilma, o autor apresenta as razões pelas quais acabou vencedora a fórmula do senador Romero Jucá do “acordo nacional”, “com o Supremo, com tudo” para derrubar a presidente.

A ralé brasileira: Quem é e como vive (Jessé Souza/Editora Contracorrente) 

Um clássico do pensamento social brasileiro que confere visibilidade à “ralé brasileira”, uma “classe social” jamais percebida enquanto “classe” entre nós, ou seja, nunca percebida como possuindo uma gênese social e um destino comum, e vista apenas como “conjuntos de indivíduos” carentes ou perigosos. Com base em uma profunda e consistente pesquisa empírica, este livro procura recontar, na dimensão da vida cotidiana, o drama existencial e familiar dos tipos sociais mais encontrados na ralé brasileira. Essa é uma “novela” a que os brasileiros ainda não assistiram. O livro também mostra como chegamos a construir uma ciência social dominante conservadora, e, mais ainda, a partir dela, um debate público servil ao economicismo hegemônico, que mais esconde que revela dos nossos conflitos sociais mais importantes. Trata-se de leitura obrigatória a todas as brasileiras e brasileiros que desejam compreender verdadeiramente a sua sociedade.

Cartas da prisão de Nelson Mandela (Nelson Mandela/Editora Todavia)

“Cartas da prisão de Nelson Mandela” é uma obra histórica: a primeira – e única – coleção autorizada de correspondências que abarca os vinte e sete anos em que o líder sul-africano esteve encarcerado. Lançada simultaneamente em diversos países, a publicação celebra o centenário de Mandela. Comoventes, fervorosas, arrebatadoras e sempre inspiradoras, as mais de duzentas cartas – muitas das quais nunca vistas pelo público – foram reunidas a partir de coleções públicas e privadas. O livro inclui um prefácio escrito por Zamaswazi Dlamini-Mandela, neta do grande líder. Um retrato íntimo de um ativista político que também era marido devoto, pai afetuoso, aluno dedicado e amigo fiel.

Sobre a China (Henry Kissinger/Editora Objetiva)

Em “Sobre a China”, Henry Kissinger escreve a respeito de um país que conhece intimamente e cujas relações modernas com o Ocidente ajudou a moldar. Lançando mão de relatos históricos e de suas conversas com diversos líderes chineses durante um período de quarenta anos, o autor examina como a China abordou a diplomacia, a estratégia e a negociação através de sua história, e busca refletir sobre as consequências do seu crescimento acelerado para a balança do poder no século XXI.

Conselhos de um Papa amigo: Palavras do Papa Francisco que ajudam a viver melhor (Andrea Tornielli e‎ Domenico Agasso Jr./Editora Canção Nova)

Papa Francisco se apresenta como o “Papa amigo”, que está sempre oferecendo conselhos para a nossa vida pessoal, social, em família e de Igreja. Este livro reúne inesquecíveis conselhos do Papa Francisco, verdadeiros tesouros para a Igreja e para a humanidade.

Contos e poemas (Mário de Andrade/Editora Expressão Popular) 

Esta edição de “Contos e poemas”, de Mário de Andrade, selecionados por Cláudia de Arruda Campos, Enid Yatsuda Frederico, Walnice Nogueira Galvão e Zenir Campos Reis, coordenadores da Coleção Literatura da Editora Expressão Popular, reúne narrativas e poéticas do autor, cujo tema central é a vida da classe trabalhadora brasileira. Os textos foram selecionados dos títulos “Os contos de Belazarte” (1934), “Contos novos” (1947) e “Poesias completas”. De acordo com o objetivo desta coleção de garantir o direito à literatura e de estimular a leitura compartilhada, a edição contém textos para contribuição ao entendimento dos textos do autor modernista. Maria Célia Paullilo trata do percurso biográfico de Mário de Andrade como líder do movimento Modernista de 1922 e os recursos modernistas utilizados tanto na forma quanto no conteúdo dos contos. Cláudia de Arruda Campos faz uma análise do contexto literário e das experimentações estéticas modernistas que contribui para a interpretação dos poemas. E Ivone Daré Rabello abre as portas do universo literário de Mário de Andrade com a chave de Antonio Cândido: “A dialética do local e do cosmopolita”, uma apaixonante visão sobre a reinvenção literária da realidade social brasileira em seus diferentes cenários regionais. E um olhar sobre a visão solidariedade de Mário de Andrade em relação ao povo brasileiro e suas expressões culturais e artísticas.

Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil (Bresser-Pereira/Editora FGV) 

O objetivo deste pequeno livro é discutir a economia brasileira desde 1990, quando o regime de política econômica desenvolvimentista foi abandonado e o país começou a instalar um regime de política econômica liberal. É discuti-la e, principalmente, definir um projeto para o Brasil. Um projeto de desenvolvimento econômico claro e objetivo, que permita que políticos competentes, dotados de espírito republicano e solidários com seu povo, façam a crítica do liberalismo econômico e do desenvolvimentismo incompetente, e liderem o Brasil de volta ao desenvolvimento perdido.

O Tiradentes: uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier (Lucas Figueiredo/Companhia das Letras) 

Enfim, a história completa: Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes, ganha sua primeira biografia moderna. Apropriada para os mais diferentes fins desde o começo do período republicano, a figura de Tiradentes adquiriu o status de mito, mas curiosamente não havia ainda uma narrativa histórica que tivesse por centro a sua vida. Uma das causas dessa ausência é sem dúvida a parca documentação disponível sobre o “mártir da Inconfidência”. É de grande dimensão o resultado obtido por Lucas Figueiredo: com recurso a uma pesquisa abrangente em acervos nacionais e estrangeiros, e às descobertas mais recentes da historiografia, o autor reconstitui a trajetória do alferes, desde a sua experiência familiar, os anos de juventude, quando foi mascate, o trabalho no baixo escalão dos oficiais —, enfrentando as engrenagens da burocracia estatal —, o ofício paralelo de tratar (e tirar) dentes, até seu envolvimento na Conjuração Mineira. Em paralelo, descortina-se um retrato vívido das Minas Gerais e do Rio de Janeiro do século XVIII: seus personagens, acontecimentos e a circulação dos ideais revolucionários. Deixando para trás as especulações e os relatos fabricados, e unindo verve literária e rigor histórico, este livro é um trabalho ímpar de investigação, que dá a Tiradentes a dimensão humana apagada na formação de sua história.

Vontade popular e democracia: Candidatura Lula? (Eugênio José Guilherme de Aragão, Gabriela Shizue Soares de Araujo, José Francisco Siqueira Neto, Wilson Ramos Filho/Editora Canal 6)

Os advogados Wilson Ramos Filhos, Eugênio de Aragão, Gabriela de Araújo e José Francisco Siqueira Neto organizaram o livro “Vontade popular e democracia: Candidatura Lula?”, com quase 300 páginas de 36 artigos de diversos intelectuais que analisam a situação de Luiz Inácio Lula da Silva, o papel das instituições e agentes públicos no impedimento de sua candidatura à Presidência da República. O prefácio é assinado pelo jornalista e escritor Fernando Morais e abre o debate para a atual conjuntura mirando o futuro. Entre os temas abordados estão a Lei da Ficha Limpa, os direitos políticos do ex-presidente, a democracia e o poder judiciário. Depois do sucesso das séries sobre o golpe, como as edições da “Enciclopédia do Golpe”, esta obra “continua cumprindo o papel que nos propormos a exercer”, segundo Wilson Ramos Filhos.

Memórias (Gregório Bezerra/Editora Boitempo)

Mais de trinta anos após a publicação das Memórias (1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da advogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arrais) Eduardo Campos, entre muitos outros.  Em “Memórias”, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia. Nascido em Panelas, no Agreste pernambucano, a 180 km de Recife, Gregório era filho de camponeses pobres, que perdeu ainda na infância, e com cinco anos de idade já trabalhava com a enxada na lavoura de cana-de-açúcar. Analfabeto até os 25 anos de idade e militante desde as primeiras movimentações de trabalhadores influenciados pela Revolução Russa de 1917, Bezerra teve papel de destaque em importantes momentos políticos da esquerda brasileira, e por conta disso totalizou 23 anos de cárcere em diversos presídios e épocas. Foi deputado federal (o mais votado em 1946) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ferrenho combatente do regime militar, e por essa razão protagonizou uma das cenas mais brutais da recém-instalada ditadura pós-golpe de 1964: capturado, foi arrastado por seus algozes pelas ruas do Recife, com as imagens tendo sido veiculadas pela TV no então Repórter Esso. A selvageria causou tamanha comoção que os registros da tortura jamais foram encontrados nos arquivos do exército. Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: “Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo”. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros “Gregórios” que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída.

Governos do PT: um legado para o futuro (Aloizio Mercadante e Marcelo Zero/Editora Fundação Perseu Abramo)

“Este livro insere-se num esforço para revelar e analisar o legado dos governos do PT. Não apenas para mostrar o que foi feito no passado, mas fundamentalmente para revelar o que pode ser feito no futuro. É nosso sólido entendimento de que, se o Brasil quiser superar o golpe, a destruição do Estado e do mundo do trabalho, suas medidas extremamente regressivas e promover um novo ciclo de desenvolvimento, a base para tal superação tem de ser assentada nesse legado” – Dilma Rousseff, presidenta do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.

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