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18 de fevereiro de 2019, 22h03

Cotada para cargo na Secretaria da Mulher, Sara Winter chama Wagner Moura de “racista”

“O racismo começa quando um BRANCO escolhe um NEGRO para fazer o papel de um BANDIDO BRANCO. Branco também pode ser bandido, viu Wagner Moura”, escreveu ela em seu Twitter

Foto: Reprodução/Facebook

Cotada para assumir um cargo na Secretaria da Mulher, vinculada ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, de Damares Alves, Sara Winter, antifeminista declarada, resolveu usar as redes sociais para atacar o ator Wagner Moura, diretor do filme “Marighella”.

A obra estreou com sucesso no Festival de Berlim, no final de semana, com direito a discurso do elenco em protesto contra o fascismo e o preconceito, defendidos pelo governo de Jair Bolsonaro.

Sara Winter, demonstrando total desconhecimento histórico, afirmou que Wagner Moura é “racista”.

A alegação, totalmente sem propósito, é que Wagner, um “branco”, escolheu um ator “negro” (Seu Jorge) para viver o que ela chama de um “bandido branco”.

O que ela certamente desconhece é que Carlos Marighella era filho de uma mulher negra, a baiana Maria Rita do Nascimento, e neto de escravos africanos. Ele mesmo se considerava negro e era visto como tal pela sociedade da época. Seu pai era imigrante italiano.

Sara escreveu: “Wagner Moura quis reduzir a população negra os retratando como BANDIDOS em seu filme. Porque não colocou um ator branco? Branco também pode ser bandido viu, Wagner, não é só negro que comete crime não. Quero saber se o movimento negro vai se manifestar ou vai ficar batendo palma”.

Em seguida, continuou: “O racismo começa quando um BRANCO escolhe um NEGRO para fazer o papel de um BANDIDO BRANCO. Branco também pode ser bandido, viu Wagner Moura, roubar não é uma atividade somente de pessoas negras e sua escolha para o filme foi racista e infeliz!”.

E ainda: “Agora os esquerdistas estão relativizando a cor do Marighella, dizendo ‘mas ele era negro’, ‘era pessoa não branca’, passando a mão na cabeça do Wagner Moura e encobrindo seu racismo. Filhos, o Wagner fez cagada, cobrem dele, ceis não tem moral de fazer isso não?”.

Episódio histórico

O jornalista e escritor Mário Magalhães, autor da biografia “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo”, usou sua conta no Twiter para relembrar um episódio histórico que comprova que o guerrilheiro era considerado negro.

“Racismo (1): inimigos de Marighella sabiam que ele não era branco. Em 1947, o deputado Marighella criticou colega que levara um carro (a “Baronesa”) da Câmara para a Bahia. Altamirando Requião reagiu: ‘Não permito que elementos de cor, como V. Ex.ª, se intrometam no meu discurso”’, publicou.

Não contente, Sara Winter ainda tentou minimizar o sucesso do filme em Berlim, atacando, também, o ex-deputado Jean Wyllys: “A única coisa que o Wagner Moura ganhou em Berlim, foi um beijo do Jean wyllys, ou seja: nem prêmio de consolação decente o cara teve”.

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