segunda-feira, 21 set 2020
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David Byrne se desculpa por blackface de 1984: “eu não era a pessoa que pensava que era”

O cantor e líder da banda Talking Heads foi alertado por jornalista e afirmou esperar que “o passado possa ser examinado com honestidade e responsabilidade”

O cantor, compositor e diretor David Byrne se desculpou através de sua conta do twitter, nesta terça-feira (1) por ter feito blackface (quando um branco pinta o rosto para parecer negro) em um vídeo promocional do filme “Stop Making Sense”, de 1984, da sua banda Talking Heads. Byrne afirma que percebeu o erro após ser alertado por um jornalista que o lembrou do episódio: “sou grato por ele ter sido trazido à minha atenção”.

Byrne diz que ao se observar nos vários personagens, “incluindo rosto preto e marrom, reconheço que foi um grande erro de julgamento que mostrou uma falta de compreensão real. É como se olhar no espelho e ver outra pessoa – você não é, ou não era, a pessoa que pensava que era”.

Ao final, o cantor diz esperar “que as pessoas tenham a graça e a compreensão para permitir que alguém como eu, qualquer pessoa realmente, possa crescer e mudar, e que o passado possa ser examinado com honestidade e responsabilidade”.

“Recentemente, um jornalista apontou algo que eu fiz em um esquete de vídeo promocional, em 1984, para o filme do show do Talking Heads, Stop Making Sense. Na peça, eu apareço como vários personagens diferentes entrevistando a mim mesmo, e alguns dos personagens retratados são pessoas de cor.

Eu estava quase esquecendo este esquete e sou grato por ele ter sido trazido à minha atenção.

Ao me observar nos vários personagens, incluindo rosto preto e marrom, reconheço que foi um grande erro de julgamento que mostrou uma falta de compreensão real. É como se olhar no espelho e ver outra pessoa – você não é, ou não era, a pessoa que pensava que era.

Temos pontos cegos enormes sobre nós mesmos – bem, eu certamente tenho. Eu gostaria de pensar que não posso cometer erros como esse, mas claramente não estava no momento. Como eu disse no final de nosso show na Broadway, Utopia americana, “Eu também preciso mudar” …e eu acredito que mudei desde então.

Esperamos que as pessoas tenham a graça e a compreensão para permitir que alguém como eu, qualquer pessoa realmente, possa crescer e mudar, e que o passado possa ser examinado com honestidade e responsabilidade.”

Julinho Bittencourt
Julinho Bittencourt
Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.