Depois de 16 anos, Museu Osório Cesar reabre suas portas em Franco da Rocha

Instituição leva o nome do médico que iniciou no Brasil o conceito de arteterapia e reúne acervo de 8 mil obras produzidas pelos internos do Hospital Psiquiátrico do Juquery

O Museu de Arte Osório Cesar, fundado em 1985, em Franco da Rocha, concluiu sua restauração e reabre suas portas ao público nesta terça-feira (1º) depois de 16 anos fechado.

Com um acervo composto por cerca de 8 mil obras produzidas pelos internos do Hospital Psiquiátrico do Juquery, o museu promoverá uma mostra de 270 trabalhos artísticos. A instituição leva o nome do médico que iniciou no Brasil o conceito de arteterapia nas décadas de 1940 e 1950, tornando a cidade berço desta prática no Brasil.

Aurora Cursino dos Santos, Sem título, 1951. Óleo sobre papel

Kiko Celeguim (PT), prefeito de Franco da Rocha, diz que a iniciativa é prova da necessidade de o Poder Público investir no fortalecimento da cultura. 

“A importância do Estado é fundamental para criar um espaços como este, até agora inexistente na região. Além de cultural, o museu tem um plano educativo. Ajudará – principalmente a população de baixa renda – a ter acesso à produção artística e compreender a arte em termos históricos. Ao mesmo tempo há expectativas de que o museu promova turismo, renda e geração de empregos.

Fundado no âmbito do Hospital do Juquery, o museu tem projeto assinado pelo engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo, que entre outras obras projetou o Theatro Municipal de São Paulo, a Casa das Rosas e a Pinacoteca de São Paulo.

O processo de restauração teve início com a consolidação da parceria entre o Complexo Hospitalar e a prefeitura de Franco da Rocha, em 2017, quando a Secretaria Municipal da Cultura passou a coordenar o projeto de reabertura do museu, com recursos do Fundo Estadual de Direitos Difusos (FID/SJDC-SP). Esse processo tem como objetivo valorizar as obras do acervo, produzidas por ex-pacientes do hospital psiquiátrico.

A instituição, hoje Museu de Arte Osório Cesar (MAOC), já foi residência do Dr. Francisco Franco da Rocha, fundador do Hospital Psiquiátrico do Juquery, que na década de 1970 chegou a atender cerca de 16 mil pacientes. O complexo foi criado em 1898 para ser um hospital colônia, modelo que estava em alta na Europa no período e que se baseava na ocupação laboral dos internos como forma de terapia.

O início da concepção como instituição de arte se deu nos anos 1920, a partir da iniciativa do anatomopatologista, crítico de arte e marido da pintora modernista Tarsila do Amaral, Osório Thaumaturgo Cesar, médico na instituição que passou a estudar objetos e desenhos produzidos pelos pacientes. Nos anos 40, fundou a Escola Livre de Artes Plásticas (ELAP) do Juquery e foi um dos primeiros estudiosos a pesquisar e aplicar o uso da arte como recurso terapêutico em pacientes psiquiátricos no Brasil.

Entre Freud e Jung
O pioneirismo de Osório influenciou a psiquiatra Nise da Silveira, que, inspirada no trabalho desenvolvido pelo anatomopatologista, transformou o ateliê de artes do Hospital Pedro 2º, no Rio de Janeiro, no Museu de Imagens do Inconsciente, em 1952. Além de acreditarem na arte como forma de terapia, Nise e Osório, que viveram em períodos concomitantes, compartilhavam ao longo da vida outros pontos em comum: ambos eram de origem nordestina, se estabeleceram no sudeste – ele em São Paulo, ela no Rio – e foram presos na Era Vargas. Seus trabalhos, contudo, partiam de referências teóricas distintas, refletindo as oposições clássicas entre o pai da psicanálise, Sigmund Freud, e Carl Jung, criador da psicologia analítica.

O acervo do museu conta com mais de 8 mil obras, formadas por desenhos, pinturas e modelagens em argila, e é símbolo da potência dos internos para produzir obras que versam sobre experiências distintas de conexão dos alienados com o mundo.

A casa abrigará uma sala de vídeo para sensibilização, sala de exposição de médio porte, três salas de exposição de pequeno porte, loja de conveniência, um café e uma área educativa para interação dos frequentadores com atividades ligadas à arte, com o propósito difundir a arteterapia como método de tratamento na área da saúde mental, objeto de estudo do dr. Osório Cesar.

Olhar diferenciado
Kiko Celeguim destaca  que a reabertura do Museu Osório Cesar é, antes de tudo, fruto de um olhar diferenciado do Poder Público frente à cultura e à falta de interesse da iniciativa privada em investir no setor. “Espaços como este não existem na região. Além de um investimento financeiro e da formação de museólogos e técnicos, conseguimos recursos no FID, que pela primeira vez investiu em nossa região”, afirma o prefeito. O museu também oferecerá guias para orientação pedagógica junto a professores da rede pública e privada durante visitação com alunos. Estudantes e população, assim, também compreenderão o significado da arteterapia no tratamento dos pacientes do  Juquery.

Celeguim vislumbra ainda outros desdobramentos gerados pela iniciativa. “Na medida em que estará aberto a pessoas de todo o Brasil, o museu terá potencial para despertar o turismo de fim de semana em Franco da Rocha e desenvolver uma cadeia que, além de conhecimento, vai gerar emprego e renda para o franco-rochenses”.

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