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04 de outubro de 2019, 10h36

Diretor da Funarte pretende entregar Teatro Glauce Rocha à companhia evangélica

Segundo a proposta de Roberto Alvim, é preciso que o governo do presidente Jair Bolsonaro “atue firme e propositivamente na área da arte e cultura, hoje dominada pelo marxismo cultural e pela agenda progressista”

Roberto Alvim e Bolsonaro (Reprodução/Facebook)

O Projeto de Revitalização da Rede Federal de Teatros, criado por Roberto Alvim, diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, prevê que o Teatro Glauce Rocha, no centro do Rio, seja transformado “no primeiro teatro do país dedicado ao público cristão”.

Roberto Alvim, que se tornou diretor da Funarte após chorar em entrevista dizendo que sua carreira acabou por apoiar o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), conseguiu alguma notoriedade depois de chamar Fernanda Montenegro de sórdida por “deturpar os valores mais nobres de nossa civilização, denegrindo nossa sagrada herança judaico-cristã”.

De acordo com documentos que constam de processo aberto na Funarte, o espaço será entregue à Companhia Jeová Nissi, grupo de orientação evangélica fundado em 2000.

O processo afirma que o país vive um “momento crucial no combate cultural”. Segundo o texto, é preciso que o governo do presidente Jair Bolsonaro “atue firme e propositivamente na área da arte e cultura, hoje dominada pelo marxismo cultural e pela agenda progressista”.

Em outro texto anexado ao processo, Alvim afirma que está formando um “exército de grandes artistas espiritualmente comprometidos com nosso presidente e seus ideais”. Segundo ele, todos estes estariam dispostos a “dar suas vidas pela edificação do Brasil, através da criação de obras de arte que redefinam a história da cultura nacional”.

Contratação da esposa

O processo também detalha a proposta de contratação da atriz Juliana Galdino, mulher de Alvim, para o cargo de diretora artística, no Teatro Plínio Marcos, de Brasília, do projeto de revitalização. Ele disse, no entanto, que desistira da contratação: segundo o diretor, por ser casada com ele, a atriz não poderia ter cargo na Funarte mesmo sem qualquer remuneração. Ela comandaria um projeto orçado em 3,508 milhões de reais. A Funarte é ligada ao Ministério da Cidadania.

Há, porém, no processo, duas indicações de que Juliana seria remunerada. Na página 17 é dito que caberia às produtoras contratadas fazer pagamentos ao diretor artístico (cargo que ela exerceria). O contrato de exclusividade assinado entre Juliana e a Flo Produções e Entretenimento – que representa a atriz – diz que a empresa poderá, entre outros pontos, acertar o “valor do cachê”.

No contrato com a Flo, registrado em cartório no último dia 11, Juliana já é citada como diretora artística do Teatro Plínio Marcos. Cinco dias depois, Alvim ratificou uma solicitação de empenho (reserva de dinheiro) para a Flo Produções no valor de 688 mil reais – a quantia corresponde à primeira parcela do contrato.

Alvim disse à Veja, no entanto, que nenhum contrato foi assinado por enquanto e nada foi recebido por qualquer produtora. “Todos os processos da Rede Federal de Teatros estão em estudo e análise”, escreveu. Para Alvim, o “o resto é pura denúncia vazia”.


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