quarta-feira, 28 out 2020
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Em Paris, artistas brasileiros denunciam ataques de Bolsonaro à cultura e democracia

Diversas personalidades brasileiras participaram do evento “Brasil, a cultura em perigo” no teatro Odéon, em Paris, nesta segunda-feira (11). O espaço estava lotado para prestigiar o debate entre artistas, intelectuais e lideranças políticas sobre a censura e demais ataques que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) tem protagonizado contra obras culturais e contra a democracia.

Estavam presentes o fotógrafo Sebastião Salgado, a filósofa e teórica do feminismo negro Djamila Ribeiro, a diretora teatral Christiane Jatahy, a arquiteta e urbanista Joice Berth, a liderança indígena Sônia Guajajara e o organizador da Festa Literária das Periferias (FLUP), Julio Ludemir. O debate foi conduzido pela jornalista francesa Audrey Pulvar.

Outras personalidades do mundo da cultura, como o escritor Milton Hatoum e o ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, enviaram textos que foram lidos em francês. Outros, como o cineasta Kleber Mendonça Filho, a produtora Émilie Lesclaux e os rappers Nyl Mc e Lucas Afonso mandaram suas participações por vídeo.

A filósofa Djamila Ribeiro falou sobre o genocídio do povo negro, “que não é apenas físico, mas também moral e intelectual”.

“O racismo é uma estrutura que perpassa todas as relações sociais no Brasil. Não podemos falar de nenhum tema no Brasil sem falar da questão racial”, defende a filósofa, que foi a primeira de sua família a ter acesso à universidade, graças às políticas afirmativas implantadas no governo Lula.

Para o fotógrafo Sebastião Salgado, que morou na França em 1969, durante a ditadura militar brasileira, o governo Bolsonaro é uma “aberração”. Ele denunciou a destruição de “tudo o que os governos Lula e Dilma fizeram pelo Brasil” e disse temer que Lula seja “eliminado” agora que está solto e vai percorrer o país e ficará “bastante acessível”.

“Há vários meses, a democracia brasileira vem caindo no abismo. A extrema direita no poder, alimentada pela nostalgia da ditadura militar e pelo fundamentalismo religioso, iniciou uma cruzada contra as classes populares, pessoas LGBTQI +, indígenas, ativistas ambientais, defensores dos direitos humanos. A cultura e a liberdade artística estão entre os primeiros setores visados pelo poder de extrema direita, que aboliu o Ministério da Cultura e não hesita em censurar trabalhos com temas que o desagradam”, dizia o texto de chamada para o evento.

Com informações da RFI.

Redação
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