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03 de outubro de 2018, 08h05

Escola censura livro acusado de ser de esquerda; autor diz: “livro é sobre a ditadura, houve uma ditadura”

Página "Alerta Ipanema", que faz campanha para Jair Bolsonaro (PSL) no Facebook, fez com que o colégio católico Santo Agostinho censurasse o estudo do livro.

Publicação acusa colégio de doutrinação comunista

Uma publicação na página “Alerta Ipanema”, que faz campanha para o candidato Jair Bolsonaro (PSL) no Facebook, fez com que o colégio católico Santo Agostinho censurasse o estudo do livro Meninos Sem Pátria, do escritor Luiz Puntel, em salas de aula.

A postagem, de segunda-feira (1º), acusa o colégio de “doutrinar crianças do sexto ano (11 e 12 anos) com ideologia comunista em sala de aula”. “Bom dia. Os pais do 6º ano do CSA estão indignados com o livro que a escola mandou ler no 4º bimestre. Meninos Sem Pátria conta a história de um jornalista que vive exilado com a família durante o regime militar e mediante a aventura, o livro critica governos militares enaltecendo a ótica de esquerda”, diz a publicação na rede social.

Página faz campanha para Bolsonaro no Facebook

Em comunicado aos pais nesta terça-feira (2), o colégio diz que decidiu suspender a leitura do livro, indicado na lista de material escolar divulgada no início do ano, “para fins de atividades escolares”.

Em entrevista ao jornalista Fernando Molica, do portal da revista Veja, Luiz Puntel, que escreveu a obra no início dos anos 80, mostrou perplexidade. “Mas o livro fala da ditadura, houve uma ditadura, com Congresso Nacional fechado, com presos, com mortes. O (presidente do STF) Toffoli prefere chamar de movimento, mas eu chamo de ditadura”.

O livro foi inspirado na vida do jornalista José Maria Rabêlo, que foi perseguido pela Ditadura e teve de fugir do país com a mulher e sete filhos. O romance termina com a volta da família para o Brasil, depois da anistia.


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