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14 de novembro de 2019, 12h35

Escritora tem livro censurado em feira por “linguajar inadequado” para jovens

"Livros não estão a serviço de ideologia nenhuma, muito menos essa retrógrada e censuradora. Vão à merda", escreveu Luisa Geisler, autora do livro "Enfim, capivaras", que foi censurado por conter palavrões

Luisa Geisler e seu livro (Montagem/Divulgação)

A escritora Luisa Geisler teve seu último livro – “Enfim, capivaras” – censurado na Feira do Livro do Nova Hartz, no interior do Rio Grande do Sul. A feira é realizada pela prefeitura, que alegou que a obra, voltada ao público jovem, não poderia ser exposta porque tem “linguajar inadequado”. A cidade é administrada pelo prefeito Flavio Jost (PP).

Em texto publicado no jornal O Globo, Luisa Geisler diz que foi convidada para falar com alunos de sexto a nono ano, entre 11 e 15 anos, e que a prefeitura chegou a adquirir o livro.

“Uma semana antes do evento, sou informada do cancelamento da minha participação. “Enfim, capivaras” não era adequado para jovens, em especial pela linguagem”, diz a escritora.

Segundo ela, a obra foi escrita e pensada para o público jovem. “Os personagens falam como adolescentes falam. Usam gírias e palavrões. Não pedem “por favor”, nem dizem “obrigada”. Eles se xingam. E esse é o problema para nossa cidade-relógio parada no tempo. Alunos me informaram que seus professores disseram que esse tipo de linguajar não pode existir em livros”, diz ela.

Em nota, a Companhia das Letras, editora responsável pelo livro, diz que “a Seguinte, selo jovem do Grupo Companhia das Letras, repudia qualquer tipo de censura e, diante de uma situação como essa, gostaria de declarar todo o seu apoio à Luisa Geisler, autora duas vezes vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, além de finalista do Prêmio Machado de Assis, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura e duas vezes finalista do Jabuti”.

Segundo a autora, existem palavrões antes de existirem livros com palavrões.

“Existem escritores que são cancelados de eventos literários por posicionamento político e conteúdo dos livros. Deputados resolvem decidir o que pode ser leitura obrigatória ou não. E falar disso ajuda a resolver o problema. Ajuda a resistir. Livros não estão a serviço de ideologia nenhuma, muito menos essa retrógrada e censuradora. Vão à merda”, diz Luisa, em seu texto n’O Globo.

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