Fábio Porchat: o inimigo não é o politicamente correto, mas sim o racismo, machismo e homofobia

“O homem branco hétero chilica, levanta o dedo e diz: ‘eu posso fazer o que eu quiser’, e dá uma de hétero louca. É muito doido esse povo branco”, brincou o humorista. Veja o vídeo aqui

O humorista Fábio Porchat declarou, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que foi ao ar nesta segunda-feira (21), considerar triste “que alguns comediantes achem que o ‘politicamente correto’ é inimigo deles, e não o racismo, machismo, homofobia”.

Porchat, que diz se considerar um racista em desconstrução, afirmou que “quanto mais humoristas negros, mulheres, declaradamente gays tiverem em destaque, isso imediatamente faz com que esses comediantes que ainda querem lutar pela piada homofóbica, eles se constranjam”.

“É lógico que pode falar tudo, dentro da lei, pode fazer a piada que você quiser, mas você está escolhendo fazer essa piada. Onde tudo pode a responsabilidade aumenta. Acho triste que alguns comediantes achem que o ‘politicamente correto’ é inimigo deles, e não o racismo, machismo, homofobia”, declarou.

Porchat lembrou que “acima do politicamente correto tem o racismo, ele é que nosso inimigo, é nele que a gente tem que bater. Você pode fazer piada com preto, com gay, com mulher, mas que triste você propagar preconceitos, que triste você não evoluir enquanto sociedade, enquanto ser-humano, que triste você querer continuar humilhando e sacaneando e rindo na cara de uma pessoa que apanha muitas vezes literalmente por conta dessas piadas”.

“Eu acho que quando um comediante fala: ‘ah, mas o Mussum fazia piada’. Sério que em 2021, que já estamos, você tá querendo fazer a piada que em 1970 o Mussum fez? Esquece a piada que ele já fez, vamos fazer as piadas que ainda não foram feitas. E as piadas que não foram feitas não riem de gordo, negro, gay. As piadas que não foram feitas riem do racista e do homem branco hetero”, adverte.

Ao final, o humorista se divertiu com os defensores do politicamente correto e o homem branco hétero: “É ele que não tá aguentando mais, o politicamente correto é ruim só pra ele. Existe um pecado no mundo que é não deixar o homem branco hétero falar o que ele quer que ele fica nervoso, ele fala que vai escrever cartas pros jornais, ele chilica, ele levanta o dedo e diz: ‘não, eu posso fazer o que eu quiser’, e dá uma de hétero louca. É muito doido esse povo branco”.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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