Fórum Educação
23 de janeiro de 2020, 10h48

Funarte proíbe participação de bandas de rock em edital

O presidente da Funarte, Dante Mantovani, já fez vídeos onde diz que o rock leva às drogas e ao satanismo

Foto: Reprodução

Bandas de rock foram proibidas em edital da Funarte, divulgado nesta quarta-feira (22).

O edital, para distribuição de instrumentos de sopro, é referente ao Prêmio de Apoio a Bandas de Música 2020. Nenhum outro gênero musical foi vetado explicitamente.

O presidente da Funarte, nomeado em fevereiro, é o maestro Dante Mantovani (foto), que também é youtuber. Em seu canal ele faz comentários sobre música erudita e teorias da conspiração. Uma delas, por exemplo, diz que o rock leva às drogas e, como última consequência, ao satanismo.

“O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo”, diz o novo presidente da Funarte, que é doutor em música pela Universidade de Londrina.

Em outro vídeo, o seguidor de Olavo de Carvalho compartilha teorias de que os Beatles “colocaram em prática as ideias da Escola de Frankfurt”, que segundo ele, queriam destruir a cultura ocidental. “Eles precisavam destruir as famílias americanas porque elas eram a sustentação do capitalismo”, diz.

Outra vítima de suas análises é o cantor Elvis Presley, que, segundo ele, também faz parte de um experimento soviético para “destruir a juventude”.

“Nos anos 50, apareceu um tal de Elvis Presley, que fazia todo mundo cantar, sacolejar, balançar o quadril, né. Todo mundo ama esses caras. Começam a ser introduzidos certos comportamentos… o Elvis Presley morreu de overdose, né”, fala.

Veto ocorreu também em outros anos

Atualização às 16h30 – Em outros anos, no entanto, outros editais com o mesmo fim também vetaram o rock. O de 2010 exclui “as tradicionais ‘bandas de pífanos’ e as chamadas ‘bandas de rock’ e ‘conjuntos musicais de instituições religiosas’, ‘bandas militares e de instituições de segurança pública’, ‘fanfarras’ e ‘bandas marciais'”.

O de 2012 diz:  “não poderão participar deste edital ‘fanfarras’ ou ‘bandas marciais’ ligadas ou não a instituições do ensino regular público ou privado, ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘big bands’, orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares e bandas de instituições de segurança pública”.

A Funarte enviou nota esclarecendo a matéria de Lauro Jardim, no Globo. Leia abaixo:

A alegação da matéria de que “a proibição específica a bandas que tocam rock cai como uma luva para o presidente da Funarte, Dante Mantovani” não corresponde à realidade. Primeiro, porque esse edital serve à distribuição de instrumentos apenas para bandas civis “tradicionais”, e não para outros tipos de bandas. Em segundo lugar, porque a Funarte realiza o Projeto Bandas (do qual faz parte essa ação) há 44 anos, desde 2007 por edital, com os mesmos critérios atuais. A redação atual é quase igual nas três versões anteriores, 2007, 2010 (Procultura) e 2012, não sendo absolutamente uma novidade da gestão Dante Mantovani.

A redação desse item sempre visou apenas a evitar confusão com outros tipos de bandas, não somente as de rock. Estas, como outros tipos de bandas diferentes das bandas civis “tradicionais”, nunca foram incluídas nesse prêmio, como se comprova no texto do edital de 2012: “Não poderão participar deste Edital… ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘bigbands’, orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares…”, etc., conforme comprovado na nota de 2013, cujo link é: http://www.funarte.gov.br/edital/premio-funarte-de-apoio-a-bandas-de-musica-2013/ .

Além disso, “bandas de música” sempre foi considerada pela Funarte como uma linguagem musical específica, distinta das demais. As bandas tradicionais realizam, em milhares de municípios brasileiros, um trabalho de formação musical, que qualifica artistas para orquestras. Por tudo isso, a Fundação mantém há anos a Coordenação de Bandas. Portanto, a Funarte nunca teve, não tem e nunca poderá ter preconceito contra nenhum estilo musical – como se espera de uma instituição federal de Estado.

Dante Mantovani
Presidente da Fundação Nacional de Artes – Funarte

Com informações da coluna de Lauro Jardim


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