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08 de agosto de 2019, 16h12

Há 50 anos, ao atravessar Abbey Road, os Beatles criaram uma das imagens mais icônicas do séc. XX

No site do estúdio Abbey Road há uma câmera voltada para a faixa onde os Beatles atravessaram que, invariavelmente e salvo nas madrugadas, está sempre apinhada de gente disputando um espaço para as poses

Foto: Divulgação

O “Abbey Road”, dos Beatles, foi o primeiro álbum que eu ganhei na vida. E quem fala é alguém que já passou seguramente das dez mil unidades em vários formatos, LPs, CDs, cassetes etc. Meu pai me deu de presente e o bolachão veio com defeito na primeira faixa do lado B, a canção “Here Comes the Sun”, de George Harrison, uma das mais belas e emblemáticas da música pop.

O mais curioso foi que em todas as lojas da grande São Paulo onde tentamos trocar aparecia o mesmo problema. POr conta de marcas no vinil, a faixa pulava ao ponto de ficar quase inaudível. Acabei ficando com este mesmo. Com o passar dos anos, por mais incrível que possa parecer e justamente por conta do defeito que tanto me aporrinhou, ele passou a valer uma fortuna nos sebos e lojas especializadas. Nunca vendi o exemplar e o tenho guardado a sete chaves, quase como a moeda número um do Tio Patinhas.

Entre as inúmeras lendas que envolvem o disco está, é claro, a foto da capa, que completa 50 anos nesta quinta-feira (8). Nela, os Beatles aparecem atravessando a faixa de segurança, em frente ao estúdio Abbey Road, em Londres.

O álbum, apesar de não ser o último lançado, foi o último a ser gravado pela banda e todos os envolvidos sabiam disso no momento da sua realização. Havia muitas ideias para a tal da capa. Uma delas era mandar o grupo para o Everest. Com o saco cheio de tudo aquilo (todos estavam), o baterista Ringo Starr perguntou: “por que não vamos na porta e fazemos a foto ai mesmo?”, cercado por olhares perplexos.

E lá foram eles, exatamente com as roupas que vestiam na hora. Por conta do calor, Paul McCartney estava de terno e sandálias e acabou fotografando descalço, o que gerou especulações sobre a sua morte. Outras inúmeras lendas cresceram em torno daquela foto simples, que acabou virando uma das imagens mais icônicas do século XX.

A foto final foi escolhida entre seis cliques tirados pelo escocês Iain MacMillan (1938-2006) que, segundo a lenda, deu uns trocados para que os guardas segurassem o trânsito. Mal poderia imaginar que nunca mais motorista algum teria sossego para passar por aquela faixa, por conta da imensa quantidade de turistas que se acotovelam por lá até hoje para reproduzir a foto.

No site do estúdio Abbey Road há uma câmera voltada para a faixa onde os Beatles atravessaram que, invariavelmente e salvo nas madrugadas, está sempre apinhada de gente disputando um espaço para as poses. Veja aqui.

Capa à parte, não fosse o disco de fato uma obra-prima e não estaria por aqui gastando o meu latim. Nele estão algumas das canções mais lindas produzidas pela banda, com um formato que, de certa forma, antevia o rock sinfônico e progressivo que viraria a marca da década seguinte.

“Something”, de George Harrison, foi gravado pelos maiores cantores do mundo de fora do rock, entre eles Frank Sinatra, Ray Charles (que George confessou ter sido a sua inspiração na composição) e Elvis Presley. Foi a canção dos Beatles mais regravada depois de “Yesterday”, de McCartney.

Mas o disco traz muitas outras, entre elas “Come Together”, “Oh, Darling”, “Golden Slumbers” e a própria “Here Comes the Sun”. Com arranjos e produção impecáveis de George Martin e uma sequência de canções editadas quase como se fossem uma só no lado B, “Abbey Road” é um dos maiores álbuns de música pop de todos os tempos.

Da minha parte, além de ter furado o vinil de tanto ouvir, devo confessar que, ao longo desses 50 anos, raramente atravesso em uma faixa de segurança sem me lembrar da sua capa.


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