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20 de janeiro de 2020, 13h42

Há cem anos, o mundo ganhava Federico Fellini

Mestre do fantástico, reinventava o exagero e nos contava histórias maravilhosas feito um grande e encantador mentiroso

Foto: Walter Albertin, World Telegram staff photographer

Federico Fellini completaria cem anos nesta segunda-feira (20). O maior cineasta do mundo de todos os tempos nasceu em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, na Itália. Uma cidade com quase 150 mil habitantes localizada na costa adriática, na região Emilia-Romagna de Itália.

O mar povoou sua infância e seus filmes. O oceano, no entanto, tanto na infância quanto nos filmes, era apenas memória. Fellini não filmava o mar. Em praticamente todos os seus filmes –se não todos – o mar era cenário. Mesmo em “Lá Nave Vá”, todo passado dentro de um transatlântico.

A viagem no filme tem como objetivo espargir as cinzas da cantora lírica Edmea Tetua em torno da ilha de Erimo, onde ela nasceu. O mar em torno do navio é cenário. Tudo em seus filmes, assim como o mar, paira sempre um tanto acima da realidade.

Sem ter parâmetros nem antes nem depois para a sua profícua produção, Fellini foi único. Mestre do fantástico, reinventava o exagero e nos contava histórias maravilhosas feito um grande e encantador mentiroso.

Suas mulheres enormes, palhaços, anões e personagens estranhos, assim como o mar e toda a cenografia, eram sempre tão falsos ou tão reais quanto a fantasia, a memória e a imaginação permitem.

Fellini se casou, em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, com Giulietta Masina, atriz fetichista, musa inspiradora e parceira do cineasta. Ela foi protagonista de inúmeros de seus filmes, entre eles “Noites de Cabíria”, de 1957. Ficaram juntos por 50 anos, até a morte do diretor. Giulietta morreu cinco meses depois do diretor, em março de 1994.

Fellini nos deixou inúmeras obras-primas como “La Dolce Vita”, “Julieta dos Espíritos”, “Noites de Cabíria”, “A Estrada da Vida”, “8½” e “Amarcord”. Estas quatro últimas venceram o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Comemorações

O seu centenário será lembrado com eventos por toda a Itália, incluindo óperas, exposições, peças teatrais, projeções especiais e concursos.

“100 anos atrás, em 20 de janeiro de 1920, nascia, em Rimini, Federico Fellini, um gigante na história do cinema e que marcou essa arte com seu talento e sua verve onírica. Em todo o mundo, autores, diretores, atores e o público continuam a admirar e se inspirar por seu trabalho, que foi capaz de modelar o imaginário coletivo”, disse o ministro dos Bens Culturais da Itália, Dario Franceschini.

O governo italiano lançou o site: https://fellini100.beniculturali.it/, que reúne todas as iniciativas programadas para o centenário do nascimento de Fellini. A principal delas é uma exposição inaugurada em sua cidade natal, em 14 de dezembro, e chamada “Fellini 100 – Genio Immortale”, que conta a história da Itália por meio do imaginário dos filmes do cineasta, além de exibir documentos inéditos, como o primeiro roteiro de “Amarcord” e o roteiro final de “8½”.

Já a Poste Italiane, empresa nacional de serviços postais, lançou nesta segunda um selo comemorativo com um autorretrato de Fellini, um entusiasta das ilustrações. O desenho saiu do “Libro dei Sogni”, um diário onde o diretor anotava seus sonhos em formato ilustrado.

“O tio me dizia sempre que tínhamos uma vida de olhos abertos e outra de olhos fechados”, contou Francesca Fabbri Fellini, sobrinha do cineasta, durante um congresso em Milão. “Ele era o rei dos sonhos”, acrescentou.

Em Amarcord (1973), talvez seu filme mais conhecido e amado, volta para a infância e, mais uma vez, à imaginação adulterada pelos seus contornos tão peculiares. É neste filme também que ridiculariza sem dó o fascismo, outro traço recorrente de suas obras.

Enfim, um artista inigualável com uma obra tão moderna que parece ter sido produzida em algum futuro distante.

Com informações do Terra


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