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04 de outubro de 2019, 16h10

Jabuti consagra Conceição Evaristo e tem Sérgio Vaz e Sarau do Binho entre indicados

Para antropóloga, prêmio e exalta a “produção literária que vai falar da condição de vida da classe trabalhadora”

Foto: Arquivo pessoal

Por Bruna Caetano e Igor Carvalho, no Brasil de Fato 

Conceição Evaristo será a grande homenageada do 61º Prêmio Jabuti. No dia 28 de novembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, a escritora receberá o prêmio de Personalidade Literária do Ano.

A escritora, nascida e criada na favela do Pendura Saia, na zona sul de Belo Horizonte, se tornou um nome de grande relevo na literatura nacional. Conceição Evaristo é autora de “Olhos D’água”, “Poncia Vicencio” e “Becos de Memória”, entre outros.

Em 2018, Evaristo foi homenageada na Feira Literária de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, e participou de uma polêmica eleição para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), que terminou com a vitória do cineasta Cacá Diegues.

“Em alguma medida, pode não ser a consagração, mas é um reconhecimento dessa história, uma não negação dessa história. Se formos pensar que Cadernos Negros existem há 40 anos e nunca furaram esse bloqueio, é significativo que tenhamos agora uma autora negra, que assume o ponto de vista negro na autoria de seus textos, sendo premiada e reconhecida”, afirma a antropóloga Érica Peçanha, pesquisadora da produção cultural da periferia e pós-doutoranda no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).

Duas décadas de movimento 

Em 2001, surgia em Taboão da Serra, a Cooperifa. O coletivo, fundado pelo poeta Sérgio Vaz, inaugurava um movimento de saraus nas periferias de São Paulo, que viram espaços estigmatizados, como os bares, sendo ressignificados como centros culturais. Pouco tempo depois, em 2004, surgia o Sarau do Binho, inaugurado pelo poeta Robinson Padial, o Binho. Nesta quinta-feira (3), ambos figuram entre os indicados, na categoria “Fomento à Literatura”, ao 61º Prêmio Jabuti.

“A inclusão dessa nova categoria é um reconhecimento de que o campo literário vai além de autores, livros e editoras. O campo literário também é composto por uma série de práticas de incentivo não apenas à leitura, mas a produção literária também”, explica Peçanha

Ainda de acordo com a antropóloga, o prêmio reconhece uma cena cultural que se aproxima das duas décadas de existência. “Esse movimento não existe apenas na cidade de São Paulo, embora na última década ele tenha vivido sua efervescência, com o surgimento de dezenas de saraus na capital paulista e, mais tarde, tenha espraiado com a chegada dos Slams. Temos saraus nas periferias de diversas cidades do país. É uma produção literária que já alcançou uma diversidade temática que inclui desde as condições de vida dos moradores das periferias, as relações de trabalho, as questões raciais, mas também o amor, a solidariedade, o erotismo e até livros focados no universo infanto juvenil. É um movimento que se consolidou em diversos territórios, mesmo que tenha surgido a partir de experiências alternativas e à margem do campo literário”, encerra.

Leia a reportagem completa no Brasil de Fato 


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