domingo, 27 set 2020
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Jodie Foster: “Os estúdios entenderam que as mulheres querem ter voz no cinema”

Uma das vozes mais atuantes na luta por maior espaço para as mulheres na indústria cinematográfica estadunidense, a atriz e diretora Jodie Foster, vencedora de dois oscars como melhor atriz, afirmou que pretende reforçar ainda mais seu trabalho em favor de abrir mais espaços para as mulheres no seu meio.

“Os estúdios entenderam que as mulheres querem ter voz no cinema, mas este é um processo que está só começando. É positivo ver que mais portas estão se abrindo, mas ainda não estamos falando em um cenário ideal de igualdade. É só um começo”, opinou a atriz.

O trabalho que Foster vem fazendo recentemente aponta a buscar esse espaço. Ele é narradora e produtora de um documentário sobre a cineasta francesa Alice Guy-Blaché, diretora de quase mil filmes lançados entre o final do Século XIX e a primeira metade do Século XX, e uma das pioneiras da busca por maior espaço às mulheres no cinema.

Em meio à produção, Foster viajou ao Chile, em 2019, para investigar a vida de Guy-Blaché passou parte da sua infância naquele país, na cidade de Valparaíso.

Ela prometeu que voltaria ao país um ano depois. Não pode cumprir a promessa, devido à pandemia do novo coronavírus, mas sua obra sim: o filme “Be natural: The untold story of Alice Guy-Blaché” (ou “Seja você mesma: A história não contada de Alice Guy-Blaché”, em tradução livre) estreará durante o FemCine (Festival de Cinema de Mulheres), que acontecerá nesse país, de forma online e gratuita, entre os dias 4 e 9 de agosto.

Em entrevista ao jornal chileno La Tercera sobre a estreia do seu filme, Foster contou sobre a importância de resgatar a memória da cineasta francesa que retratou em seu documentário. “Devo confessar, com alguma vergonha, que não sabia nada sobre Alice Guy-Blaché antes de me envolver no projeto, e isso que me considerou uma pessoa que domina certos aspectos da hisrtória do cinema, especialmente no que diz respeito à participação das mulheres, e mesmo assim nunca havia visto uma citação sequer sobre uma diretora que realizou quase mil filmes em sua época”.

“Muitas de nós sofremos com isso, e às vezes nem percebemos o quanto é importante saber que outras mulheres fizeram coisas grandiosas antes de nós. Por isso temos que trazer de volta a memória dessas pioneiras, no cinema, nas ciências e em todos os aspectos da vida. Reforçar nossas histórias como partícipes do desenvolvimento da sociedade não é um capricho, e é essencial para nossa reivindicação por mais representartividade agora”, comentou Foster.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).