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23 de fevereiro de 2020, 13h36

Liderado por mulheres, bloco funk busca reivindicar negritude do carnaval de rua

"Nós criamos um bloco para abraçar os pretos”, conclui a diretora Iuna Patacho, uma das que organizadoras do projeto com repertório exclusivamente focado em funk, que levou centenas de pessoas às ruas do Centro do Rio de Janeiro

A banda d´O Baile Todo (foto: Facebook)

O Baile Todo, não é só “as cachorras”, nem só “as preparadas”, nem só as “popozudas”, como naquele sucesso de outros carnavais. E também “não é pra ser ser só de preto”, como afirma Iuna Patacho, uma de suas diretoras.

“Nós criamos um bloco para abraçar os pretos”, conclui a diretora, que organiza junto com Maria Milward e Matheus Viana, criadores do projeto, além de Polliana Souza, Thaísa Rudge e Rômulo Cardoso, este bloco com repertório exclusivamente focado em funk, que levou centenas de pessoas às ruas do Centro do Rio de Janeiro.

Segundo Patacho, uma das metas d´O Baile Todo “é devolver o carnaval de rua aos negros, e reivindicar a luta contra o racismo”.

“Uma das coisas que eu mais vejo, critico e tento lutar contra é a ausência de pessoas negras no carnaval de rua atual. Considerando que o Carnaval de rua tem origem preta, isso é muito sintomático, porque fala sobre a exclusão que pessoas pretas sofrem nesta cidade, neste país”, comenta Patacho.

A diretora também conta que “o nosso objetivo é embasar o discurso antirracista e da descriminalização do funk, criar um espaço em que a gente possa dar voz a esse gênero musical que também é um movimento social”.

A organização d´O Baile Todo se destaca por pelos instrumentos de sopro e forte investimento em figurino. A diretora Iuna Patacho reconhece que sua proposta pode ser alvo de críticas, especialmente nestes tempos de polarização política no Brasil, mas diz que o grupo está preparado para elas.

“A gente sempre lida com comentários de pessoas que não conhecem nosso objetivo, nosso discurso ou nossa história, que, apesar de curta, é intensa”, contesta.


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