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10 de abril de 2020, 06h50

Marcelo Adnet: “Bolsonaro é uma piada pronta”

Em entrevista à Veja, Marcelo Adnet conta ainda que foi abusado sexualmente duas vezes, aos 7 e 11 anos, e que pensa em entrar para a política, mas não agora em razão das ameaças que já sofre. "Não dá para esquecer a execução da Marielle Franco, né?"

Marcelo Adnet como Jair Bolsonaro no desfile da São Clemente (Montagem)

Em entrevista às páginas amarelas da revista Veja, que chega nessa sexta-feira (10) às bancas, o humorista Marcelo Adnet diz que Jair Bolsonaro é uma “piada pronta” e afirma que pensa na possibilidade de entrar para a política, “mas não agora”.

“O presidente é uma piada pronta, talvez a figura mais caricata que já vi na vida. Não apenas na forma de falar, de pensar ou de se comportar, mas, sobretudo, no conteúdo. Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma, todos eram passíveis de sátiras. Só que nunca um governante disse tanta bobagem, seja por incapacidade, seja por estratégia mesmo”, disse o humorista.

Ameaçado constantemente por bolsonaristas, Adnet afirma ainda que entrar para a política no momento colocaria não só ele, mas também a família em risco.

“Sabe que até penso nessa possibilidade [de entrar para a política]? Mas não agora. Na adolescência, cheguei a cogitar muito isso. Porém, nestes tempos, considero uma empreitada perigosa e que poria não só a mim, mas também a minha família em risco. Não dá para esquecer a execução da Marielle Franco, né?”.

Adnet diz que se considera de “esquerda”, sem ser um “extremista à la Che Guevara, e acredita que, em comparação a Roberto Alvim, Regina Duarte no comando da Cultura do governo Bolsonaro é “um enorme avanço”, mas “daqui a pouco vão acusá-la de ser comunista, vocês vão ver”.

Abusos
Na entrevista, Adnet diz ainda que foi abusado sexualmente por duas vezes, aos 7 e aos 11 anos, e que ainda convive com “o susto, o trauma, a desconfiança”, mesmo após anos de análise.

“Na primeira, nem sabia o que era sexo. O caseiro do lugar onde eu passava as férias começou a se aproximar de mim e pedir favores. Ele me chantageava dizendo que, se contasse algo a qualquer pessoa, meu cachorro morreria. Eu era muito ingênuo. Um dia, quando só estávamos eu e ele em casa, foi para cima de mim. Senti uma dor imensa, mas durou pouco porque meus parentes, que tinham ido ao mercado, voltaram para buscar a carteira. Mais tarde, o pesadelo se repetiu com um amigo mais velho da família. Ele não chegou a consumar o ato, como o caseiro, mas me beijou e passou a mão no meu corpo. Foram dois episódios difíceis”.


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