Mário Frias, secretário de Cultura de Bolsonaro, anda armado, ameaça e grita com funcionários

A gritaria, dizem funcionários, pode ser ouvida de longe. No Planalto e no resto da Esplanada, há quem se refira à Secretaria Especial da Cultura como hospício

De acordo com informação publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada por Splash, do UOL, o secretário especial da Cultura Mario Frias anda e despacha armado no ambiente de trabalho, deixando a arma visível na cintura, o que provoca mal-estar entre os funcionários do órgão.

A coisa não fica por isso. O clima pelos corredores da secretaria, de acordo com fontes entrevistadas pelo Splash, é de tensão frequente, com relatos de escândalos e ofensas aos gritos dirigidos a servidores e terceirizados.

A gritaria, dizem funcionários, pode ser ouvida de longe. No Planalto e no resto da Esplanada, há quem se refira à Secretaria Especial da Cultura como hospício.

De acordo com o site da Polícia Federal, Frias tem uma pistola Taurus de calibre .9mm registrada em seu nome. Sendo civil, ele precisa ter um documento de porte, que autoriza o cidadão a circular com uma arma de fogo “de forma discreta”, de acordo com o site do governo federal.

Em setembro de 2020, foi publicada pelo perfil do Clube de Tiro Brasília uma foto onde Mario Frias aparece segurando um fuzil.

Ao lado de Helton Rego, que se identifica como instrutor de tiro, Frias aparece com a legenda: “’Povo armado jamais será escravizado!’ Neste sábado tive a honra de dividir um pouco de conhecimento com o nosso secretário de Cultura. Obrigado pela confiança, amigo!”.

Foto: Reprodução

Veja abaixo texto escrito por Mário Frias para solicitar o porte de armas sem correções de português:

“Considerando minha condição de Secretário Especial da Cultura, especialmente em um momento político com políticos ataques, ameaças e manifestações violentas contra autoridades que compõem a administração pública federal e, tendo em vista que, na condição de secretário Especial da Cultura, participo de eventos e reuniões em todo Brasil, muitas vezes em meio a protestos e manifestações violentos, faz-se extremamente necessário o porte de arma, ainda mais que frequentemente sou abordado por diversas pessoas para tratativas de vários assuntos, alguns sensíveis e complexos e, às vezes algumas dessas pessoas se constituem de pessoas estranhas a mim e à minha equipe. Tais fatos tem ocorrido desde que fui nomeado para a função e, desde então, tenho sofrido pressões diversas, situações nas quais me vejo em estado de alerta e pelo qual tenho receado pela minha integridade física, dos meus familiares e da minha equipe. Nestes termos, solicito o deferimento do porte de arma ora requerido.”

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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