Morre, aos 98 anos, Riachão, o compositor de “Cada macaco no seu galho”

Para este ano, ele planejava lançar o álbum "Se Deus quiser eu vou chegar aos 100", com repertório inédito e autoral

Compositor profícuo, o baiano Riachão, cujo nome de batismo era Clementino Rodrigues, faleceu durante a madrugada desta segunda-feira (30), enquanto dormia em sua casa, no bairro do Garcia, em Salvador.

Uma de suas últimas aparições públicas foi durante o Carnaval, quando acompanhou da sacada de sua casa a saída do bloco Mudança do Garcia.

Ele tinha 98 anos.

Você pode nem saber quem ele é, mas conhece suas canções, seus sambas, com toda a certeza. Algumas delas, como “Cada Macaco no seu Galho”, são tão famosas que até parecem ser do folclore.

Riachão teve dois grandes momentos de pico em sua longa carreira. O primeiro deles, em 1972, quando os conterrâneos Caetano Veloso e Gilberto Gil gravaram a própria “Cada Macaco no seu Galho”, em uma versão que se tornou rara, em compacto simples.

A outra, mais recentemente, foi quando a cantora Cássia Eller regravou “Vá morar com o Diabo”, no seu álbum de maior vendagem, o ao vivo da série Acústico MTV, de 2001.

Riachão nasceu no bairro do Garcia, na capital baiana, em 1921. Ele compôs a primeira canção aos 12 anos. Teve inúmeros parceiros, entre eles Jackson do Pandeiro. Seu primeiro CD foi gravado quando ele já tinha 80 anos.

Ele fez ainda participação no filme “Os Pastores da Noite”, do francês Marcel Camus, baseado na obra homônima de Jorge Amado.

Para este ano, ele planejava lançar o álbum “Se Deus quiser eu vou chegar aos 100”, com repertório inédito e autoral. Seria o primeiro disco de Riachão desde “Mundão de Ouro”, lançado em 2013.

A família de Riachão soltou o seguinte comunicado:

“É com grande tristeza que nós, familiares, comunicamos o falecimento do nosso querido patriarca, Clementino Rodrigues, carinhosamente conhecido como o sambista Riachão!

Riachão faleceu em casa, de causas naturais, na manhã desta segunda-feira, junto de sua família!O velório acontece no cemitério Campo Santo e o sepultamento ocorrerá as 16:00.

Levando em consideração o decreto que proíbe a aglomeração de pessoas por conta da pandemia do corona vírus, a entrada de pessoas no velório será rotativa e limitada.”

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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