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27 de setembro de 2018, 17h23

Morre Luhli, a compositora de “O Vira”, dos Secos & Molhados

Grande compositora e precursora LGBT, Luhli, de 73 anos, da dupla Luhli e Lucina nos deixou em decorrência de um quadro crônico de asma complicado por pneumonia

Luhli. Foto: Divulgação

Heloísa Orosco Borges da Fonseca, mais conhecida como Luhli, da dupla Luhli e Lucina, nos deixou nesta quarta-feira (27), aos 73 anos. Morreu no hospital Raul Sertã, em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, em decorrência de quadro crônico de asma complicado por pneumonia.

Duas coisas parecem inacreditáveis neste pequeno parágrafo. A primeira, e mais óbvia, é o fato em si e a segunda é Luhli ter 73 anos. Claro que o tempo passa para todos, e é bom que passe, mas a cantora, compositora e multinstrumentista foi, nas décadas de 70 e 80, um dos grandes ícones da juventude, transformação e ousadia.

Vamos, enfim, do começo. Luhli, que na época era apenas Luli, formava uma dupla musical e também na vida com a cantora e compositora Lucina. E as duas viviam juntas também com o fotógrafo Luiz Fernando da Fonseca, formando um ‘trisal’.

Lucina, Luhli e o fotógrafo Luiz Fernando da Fonseca. Foto: Arquivo Pessoal

Amiga de Ney Matogrosso, foi ela quem apresentou o cantor ao compositor João Ricardo. Os dois acabaram formando o grupo Secos & Molhados.

Difícil imaginar um grupo tão pequeno de pessoas que tenha dado contribuição tão significativa, tanto no comportamento da juventude brasileira quanto na música.

Do antológico disco de estreia dos Secos & Molhados, de 1973, Luhli é autora, ao lado de João Ricardo, de duas canções. Uma delas é, nada mais nada menos do que o maior sucesso do álbum, “O Vira” e a outra é “Fala”, que se tornou uma das mais emblemáticas do período.

No segundo disco do grupo ainda entrou outra parceria dela com João, “Toada & Rock & Mambo & Tango & Etc” que, assim como o álbum, não fez tanto sucesso quanto as anteriores.

A história de Luhli e Lucina é contada no longa-metragem “Yorimatã”, de 2014, dirigido por Rafael Saar.

As duas fizeram inúmeras canções que foram gravadas por um sem fim de cantores da nossa música, como – além de Secos & Molhados e Ney Matogrosso em sua carreira solo – Frenéticas, Nana Caymmi, Tetê e Alzira Espíndolla, Joyce, Rolando Boldrin e Wanderléa.

Cena do filme Yorimatã, de Rafael Saar, com Luhli e Lucina

Luhli, que além de cantora, compositora e instrumentista, era também ogã de umbanda, ilustradora e escritora, publicou poesia, contos, crônicas, romance, optou por levar uma vida retirada.

A dupla foi pioneira, ao lado de Antônio Adolfo, na produção independente de discos e fazia espetáculos quase artesanais.

Nunca explodiu como artista, mas teve uma vida linda e intensa, uma carreira profícua e nos deixa um grande legado.

 


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