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06 de novembro de 2019, 16h10

O disco perdido de Bob Dylan e Johnny Cash 50 anos depois

Entre 17 e 18 de fevereiro de 1969 os dois passaram duas horas em um estúdio. O resultado é lançado pela primeira vez agora

Foto: Divulgação

Há 50 anos, os cantores Bob Dylan e Johnny Cash, duas lendas da canção folk americana, deixavam um registro comovente para o clássico “The Girl from the North Country”, de Dylan. A gravação abria o álbum “Nashville Skyline”, do próprio Dylan, e viria a ser um dos grandes duetos do mundo da música.

O que quase ninguém sabia é que “The Girl from the North Country” não era filha única de pais solteiros. O track fazia parte de uma série de gravações que a Columbia Records resolveu relançar, em uma caixa com seis CDs chamada “Bob Dylan (Featuring Johnny Cash) – Travelin’ Thru, 1967 – 1969: The Bootleg Series Vol. 15”.

Foto: Reprodução

Pirataria

Como o próprio nome diz, a caixa é o décimo quinto volume da série de relançamentos de “piratarias” de Dylan. Segundo a lenda, sempre que vai para o estúdio, o cantor e compositor grava dezenas, as vezes centenas de vezes a mesma canção. Repete incansavelmente até ficar satisfeito.

Esse monte de tracks não aproveitados acabavam sendo comercializadas no mercado negro. Isso fez de Dylan, ao lado dos Beatles, um dos artistas da música pop mais pirateados do planeta. A Columbia Records resolveu se aproveitar do fato e lançar legalmente e periodicamente essas obras “piratas”.

Fragmentos

No caso em questão, as gravações recuperadas e que, inexplicavelmente, nunca viraram um álbum, foram pinçadas das sessões que Dylan fez entre os anos de 1967 até 1969 e que resultaram além de “John Wesley Harding”, também nos álbuns “Nashville Skyline” e “Self Portrait”. Trata-se de uma fase muito profícua de Bob Dylan, que resultou em sucessos como “Lay, Lady, Lay”, “All Along the Watchtower”, eternizada por Jimmi Hendrix, “I Pity the Poor Immigrant”, “Country Pie”, a própria “The Girl from the North Country” entre muitas outras.

Apesar de cada segundo dos seis álbuns valerem, e muito, à pena, a cereja do bolo mesmo fica por conta das gravações com Johnny Cash. Entre 17 e 18 de fevereiro de 1969 os dois passaram duas horas em um estúdio. Como curiosidade, na banda que os acompanhava estava na guitarra a lenda do rock’n’roll, Carl Perkins. Ele tocou em seis canções, entre elas a sua própria “Matchbox”.

A caixa contém ainda as gravações da primeira participação de Dylan na TV em cinco anos, no The Johnny Cash Show. As gravações são, sobretudo, um documento imprescindível de dois profissionais da música extremamente bem-sucedidos e que se respeitavam mutuamente. Acima de qualquer coisa, os dois se mostram à vontade. O resultado do casamento das duas vozes incomuns – Dylan um tenor anasalado e Cash barítono de timbre aveludado – é excelente, divertido e, em vários momentos, comovente.

Os tracks são por vezes bem-acabados e em outras nem tanto, dando a entender que se buscava um produto final perfeito, um disco talvez. Por fim, o que poderia ter sido um dos álbuns de música folk melhores e mais bem-sucedidos de todos os tempos ressurge em fragmentos.

E nos deixa o gosto do que poderia ter sido, mas nunca foi.

No spotify é possível ouvir parte da caixa. Veja abaixo:


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