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08 de janeiro de 2017, 13h43

O tradicional e o moderno da banda Big Up

Há uma energia quase incontrolável na música do Big Up. Um conflito de forças que sempre joga tudo pro alto e, ao mesmo tempo, mantém o jogo no chão. Impossível não se contagiar com o som e não admirar a acuidade com que é feito. Tudo é medido, caprichado, bem executado. Não há ponto fora da curva, não há nada que ganhe nada no grito.

Há uma energia quase incontrolável na música do Big Up. Um conflito de forças que sempre joga tudo pro alto e, ao mesmo tempo, mantém o jogo no chão. Impossível não se contagiar com o som e não admirar a acuidade com que é feito. Tudo é medido, caprichado, bem executado. Não há ponto fora da curva, não há nada que ganhe nada no grito.

De Julinho Bittencourt

O mistério se resume a descobrir quem são e de onde vem esses três garotos que se autodenominam Big Up e acabam de lançar um EP (pequeno CD com cinco músicas) chamado “Guia”. Pela quantidade de referências ao candomblé e outras entidades, o nome do EP deve ser mesmo o pequeno colar colorido onde cada um dos Orixás é representado por suas cores. No mais, muitas outras entidades aparecem aqui e acolá, não só o Xangô do EP, mas também Ogum e tantas outras forças do bem. O som parece vir dos terreiros, mas o baticum é novo.

O disquinho foi gravado num home studio em Interlagos, zona sul de São Paulo. O Big Up, segundo a capa, são três: Lucas Pierro, Victor Burbach e Gabriel Geraissati. O nome, que bate de algum lugar do passado começa a clarear. O moleque é mesmo a cara do André, um dos maiores violonistas que o Brasil (e o mundo) já viu. Mais um passo pra frente e pronto. Tá lá o próprio na inacreditável (de boa) masterização do EP, coisa quase impossível para algo que foi gravado num home studio. É pai e é filho. Fora isso, mais nada converge.

Mais pistas vão surgindo aqui e acolá. Eles são três, mas vivem cercados de parceiros, amigos e colaboradores. Em “Xangô”, por exemplo, participa o Vina Jabuti; em “Treta” o Gueto Organizado. Na letra mais algumas e pequenas pistas: “Cadê você? Cadê você?, Se pôs em algum lugar que tá fácil de achar mas difícil te ver, Compreender essas atitudes, Esse brilho esquisito, Espero que tudo, mude nesse quesito”

O tom meio messiânico é (sempre) acompanhado por uma base firme, grave, verdadeiramente grave. Hip Hop feito à unha: “Não é fácil ser aceito pelo aquilo que é, Mas dar mole é por os defeitos escondidos no boné, Preferível por a cara limpa, honrar as palavras, E se não for assim melhor meter o pé, mané!, Firme na base segurando a emoção, Faça que seu proceder converse com seu coração e Seja feliz, sem dar vacilo”.

Há uma energia quase incontrolável na música do Big Up. Um conflito de forças que sempre joga tudo pro alto e, ao mesmo tempo, mantém o jogo no chão. Impossível não se contagiar com o som e não admirar a acuidade com que é feito. Tudo é medido, caprichado, bem executado. Não há ponto fora da curva, não há nada que ganhe nada no grito. Por trás da zona, do berro e da energia há sempre uma base bem posta, um processo de primeira.

As vozes bem divididas, os versos honestos e diretos de Pierro e do Burbach se acomodam feito mágica nas bases do Gabriel faz tudo. A despeito de tudo e na contramão de todos, o Big Up prefere se colocar do lado da vida, de bem com ela: “Sinta a força que te faz voar, E deixe se levar, Mesmo que a escuridão pareça te cegar, A fé na vida é luz que nunca falha”. Há algo de Bob Marley, tanto no misticismo quanto no astral. O Big Up quer dar e viver felicidade.

No mais é isso. Os moleques não param, os moleques piram. Cada dia tem uma postagem nova, um single, vídeo, pronunciamento, documentário e tudo na mão, pra quem quiser levar, ver e ouvir. A rota por onde andam e se divertem, o que gravam e o que querem gravar. Basta subir lá na rede e pegar. É Big Up mesmo.

Talento e felicidade compartilhados.


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