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14 de março de 2020, 10h51

“Operação Condor”, por Carlos Heitor Cony: o método da ditadura militar de eliminar arquivos vivos

Tema foi tratado por Carlos Heitor Cony, em parceria com Anna Lee, em dois livros que levantam os mistérios que envolvem as mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda

Foto: Divulgação

Um dos principais e mais intrigantes livros do jornalista e escritor Carlos Heitor Cony se chama “O beijo da morte”, de 2003. Nele, ao lado da colega Anna Lee, parceira na publicação, Cony levanta todas as suas dúvidas a respeito das mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, entre 1976 e 1977 (ou seja, durante a ditadura).

O jornalista não acreditava que as causas eram acidentais e naturais, como informavam os militares.

Cony entrevistou mais de 50 pessoas e se debruçou em inúmeros arquivos atrás das verdadeiras circunstâncias dos óbitos.

O resultado, no final das contas, foi inconclusivo, o escritor parecia ter esgotado o assunto.

Alguns fatos novos, no entanto, reacenderam o assunto: a exumação de João Goulart dez anos depois e a abertura de registros importantes da ditadura. Os dois resolveram renovar a publicação.

O que seria a atualização, lançada em 2018, acabou se tornando um outro livro, batizado de “Operação Condor” e repleto de fatos novos.

A nova versão passou a ser narrada por Verônica, amante do Repórter, um homem que destruiu sua vida tentando desvendar o mistério das mortes de Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda, ocorridas num curto espaço de tempo, quando os militares estavam no poder e os três políticos poderiam aglutinar as forças da oposição.

A partir da exumação dos restos mortais de Goulart, ex-presidente deposto com o golpe militar de 1964, e da volta aos arquivos do Repórter, Verônica se confronta com seu passado e descobre documentos reveladores de que o Brasil, muito antes da Operação Condor, já monitorava atividades de brasileiros no exterior – notadamente de militantes e políticos de oposição, considerados suspeitos de conspirar contra o Regime Militar, com total apoio e colaboração do Itamaraty.

Como no livro anterior, os autores Carlos Heitor Cony e Anna Lee têm como estratégia narrativa a mistura de reportagem, depoimento e ficção.

A coautora, Anna Lee, afirmou na época do lançamento que “há muitas questões polêmicas envolvendo a exumação. Entrevistamos fontes importantes que afirmaram que a exumação não poderia ser levada a sério porque fora feita a toque de caixa para ser completada antes do fim do governo Dilma.

O fato é que as três mortes são suspeitas. Cony, assim como o seu protagonista, nos deixou sem conseguir provar sua tese. Mas ninguém duvida, até hoje, que este tipo de queima de arquivos humanos, foi um método recorrente da ditadura militar no Brasil.

Com informações do Globo


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