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04 de abril de 2019, 06h00

Os 75 anos de Joni Mitchel em concerto inesquecível

Álbum e filme com uma constelação de artistas da música celebram os 75 anos desta que é considerada uma das maiores compositoras de todos os tempos

Foto: Divulgação

A canadense Joni Mitchell é uma das maiores compositoras do mundo de todos os tempos. Foi considerada pela revista Rolling Stone a 75º melhor guitarrista e “a nona melhor compositora da história”. O site especializado All Music afirmou que “quando a poeira baixar, Joni Mitchell pode vir a ser a artista musical feminina mais importante e influente do século XX”.

A capa do álbum. Foto: Divulgação

Ninguém duvida do seu enorme talento. Tanto é que, quando resolveu fazer um concerto para celebrar os seus 75 anos, uma constelação de bandas, músicos, cantores e compositores apareceu para participar da homenagem.

O resultado da empreitada resultou no estupendo filme e também no álbum “Joni 75: A Birthday Celebration”, lançado pela Decca Records em 8 de março de 2019. A gravação, feita em Los Angeles em 7 de novembro de 2018, traz um sem fim de artistas de grosso calibre que apresentam canções de Joni, com uma exceção: a do ex-marido Graham Nash. Ele canta o clássico de seu supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, “Our House”.

Antes da execução solitária, Nash afirma que fez a canção na época em que viviam juntos, ele com 27 anos e ela com 26. A plateia vai ao delírio e canta junto com o compositor, acompanhado apenas ao piano. Por ironia, a canção talvez seja a mais famosa e conhecida de todo o repertório do álbum, posto que o trabalho musical de Joni não é nem um pouco fácil, tampouco afeito a cantorias de multidões.

Joni Mitchel está por lá, mas não se apresenta, por motivos de saúde. O resultado é uma série de reinterpretações de suas canções que, por vezes, as jogam em outros caminhos e, por outras, se aproxima em deferência às gravações originais.

Além de Graham Nash, participam do concerto alguns dos artistas mais importantes, tanto da música folk quanto do jazz e do pop, como James Taylor, Seal, Norah Jones, Brandi Carlile, Glen Hansard, Emmylou Harris, Chaka Khan, Kris Kristofferson, Los Lobos with La Marisoul, Cesar Castro & Xochi Flores e Rufus Wainwright.

Várias das versões são antológicas. O cantor Seal consegue impressionante interpretação para o clássico “Both Sides Now”, arrebatando a plateia. Rufus Wainwright interpreta “All I Want” com a competência de sempre, mas é em “Blues”, faixa título de um dos mais famosos e aclamados discos da artista, que ele voa alto e mostra a que veio, em interpretação comovente.

Cada uma das faixas merece ser citada, destacada. Diana Krall está soberba em “Amélia”; o irlandês Glen Hansard evoca o conterrâneo Van Morrison em “Coyote”; Chaka Khan, navegando em outros ares, surpreende em “Help Me”; “Court and Spark” ganhou outros tintas na interpretação de Norah Jones; Kris Kristofferson e Brandi Carlile fazem um excelente dueto em “A Case of You”, carregado muito mais pela maneira de ‘dizer’ a canção do que por mirabolâncias vocais; Brandi prossegue só em “Down To You”, em outra interpretação inesquecível, sóbria, perfeita.

O grupo mexicano Los Lobos carrega a música de Joni Mitchel com outros sabores. Com muita habilidade vocal, pimenta e temperos diversos, o grupo consegue um jeito próprio às canções “Dreamland” e “Nothing Can Be Done”.

À medida em que caminha para o final, o concerto se torna mais e mais emocionante. James Taylor revê a canção “Woodstock”, talvez o maior sucesso de Joni Mitchel, na voz de Crosby, Stills, Nash & Young. Aqui, Taylor faz uma nova versão, arrebatadora, incomparável.

Ao final, todos se juntam na irônica “Big Yellow Taxi”: “Você não sabe o que tem até que o perca. Pavimentaram o paraíso e colocaram lá um estacionamento”.

Um álbum comovente e, ao mesmo tempo, um melancólico sinal de que as melhores coisas que temos ouvido são tributos há outras que, não só já ouvimos, como também nos formaram.


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