sábado, 19 set 2020
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Paul McCartney se emociona com versão de Blackbird em idioma indígena canadense

Blackbird, uma das mais belas canções dos Beatles para violão e voz, ganhou nova vida recentemente, com uma versão gravada pela cantora Emma Stevens, a qual é interpretada em idioma mi´kmaq.

A tradução da letra não surgiu por acaso: a própria Stevens é uma jovem artista nascida no território do Canadá mas com antepassados mi´kmaq, uma comunidade indígena do nordeste do país da América do Norte, e se identifica mais com a cultura dos seus ancestrais. Segundo ela, a letra de Blackbird “tem muito sentido dentro dos princípios filosóficos defendidos pela tribo”.

O cover de Stevens, gravado em abril deste ano, girou o mundo graças a uma campanha da ONU Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos), até chegar aos ouvidos de ninguém menos que o compositor de música. Em um concerto recente de sua atual turnê, Paul McCartney falou sobre Stevens, convidando o público a procurar seu vídeo na internet: “há uma versão incrível, cantada por uma garota canadense, está no YouTube, ela interpreta a canção em seu idioma nativo”.

McCartney também disse que Blackbird foi escrita como uma homenagem aos movimentos por direitos civis nos anos 60, e a duas mulheres que o ajudaram e inspiraram a letra. Em entrevista em 2016, recordada pelo National Post do Canadá, o ex-beatle contou: “Nós víamos o que estava acontecendo e simpatizamos com as pessoas passando por esses problemas, e isso me fez escrever uma música dedicada a essas pessoas, mesmo que fosse somente para ajudá-los um pouco”.

 

Em 27 de maio, Stevens esteve em Nairóbi, capital do Quênia, também para a campanha da ONU Habitat, cujo propósito também é defender os idiomas indígenas de todo o mundo da ameaça de extinção.  Atualmente, o idioma nativo do povo Mi´kmaq é falado por pouco mais de 10 mil pessoas.

Durante sua apresentação, a cantora mostrou sua versão de Blackbird e outras canções próprias, nas quais ressalta a música e a cultura do povo Mi´kmaq. Ela aproveitou a apresentação para fazer um apelo em prol da conscientização sobre uma das maiores questões do Canadá: as mulheres e meninas indígenas desaparecidas e assassinas.

“Me entristece dizer que quatro mil mulheres indígenas do meu país desapareceram ou foram assassinadas desde os Anos 1970, e a maioria dos crimes não foram resolvidos”, disse ela à plateia, usando um tradicional vestido vermelho das mulheres Mi’kmaq, com laços vermelhos que simbolizam, em sua cultura, o luto pelo genocídio indígena.

“Mesmo em um país democrático moderno como o Canadá, os povos indígenas ainda lutam por igualdade, justiça e reconciliação”, completou Stevens.

Com informações do National Post.

Redação
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