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19 de janeiro de 2020, 11h22

Pedro Cardoso: Um operário continuará sendo operário após a revolução-anticapitalista?

Em texto provocativo, ator fala sobre o entendiante trabalho na indústria, onde se concentra "todo o grande dinheiro" e diz que a "questão da justiça social e da liberdade não se coloca plenamente sem que nela esteja também colocada a do modo de vida atual"

Pedro Cardoso no programa Sem Censura, da TV Brasil (Reprodução)

Em um texto provocativo em seu perfil no Instagram neste domingo (19), o ator Pedro Cardoso faz uma reflexão filosófica sobre trabalho e capital e lança uma indagação: “Se perguntarmos a um operário o que ele deseja para si no dia seguinte a uma revolução anti-capitalista, será que haverá quem responda que deseja continuar sendo um operário?”.

Cardoso fala sobre o entendiante trabalho na grande indústria, onde se concentra “todo o grande dinheiro” e diz que a “questão da justiça social e da liberdade não se coloca plenamente sem que nela esteja também colocada a do modo de vida atual”.

“O conforto contra a natureza que todos almejamos só é possível ser atendido pela modo industrial de produção. E este se vale do trabalho alienado do operário. Otimistas apostam na mecanização como libertária. Mas em que haverá de trabalhar o desempregado? Pergunto a nós: O que deseja o operário: ser o operário ainda da fábrica da qual será também o dono?”.

Sugerindo o clássico filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos, o ator diz que é necessário pensar “outros modos de conforto desassociados da indústria”.

“A natureza só é agradável quando a podemos contemplar de uma confortável varanda”, dizia o personagem de uma tragédia. Que sombra desejamos: a de uma árvore ou a de um telhado? A árvore, a temos; o telhado, sempre por construir. O quão parte da natureza ainda somos?”, provoca.

“A natureza só é agradável quando a podemos contemplar de uma confortável varanda”, dizia o personagem de uma tragédia. Que sombra desejamos: a de uma árvore ou a de um telhado? A árvore, a temos; o telhado, sempre por construir. O quão parte da natureza ainda somos?

 

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Bom dia. Uma questão: Se perguntarmos a um operário o que ele deseja para si no dia seguinte a uma revolução anti-capitalista, será que haverá quem responda que deseja continuar sendo um operário? Será que há quem seja feliz realizando o trabalho impessoal exigido pelo modo industrial de produção de bens? Será que há como não haver essa impessoalidade dentro das indústrias? São perguntas que me faço. Outro dia, diante do tédio da operadora da caixa do supermercado, eu me perguntei o quanto entediante deve ser o trabalho dela. O quanto aborrecido podem ser tantas funções não criativas das quais depende o nosso modo de vida atual, com todos os seus confortos? Eu trabalhei simultaneamente na indústria (TV) e no artesanato (teatro). E, ainda que minha função na cadeia de produção industrial fosse ainda criativa, o artesanato me trazia muito maior liberdade porque maior autonomia; por outro lado, me rendia muito menos. Todo o grande dinheiro está na indústria. A questão da justiça social e da liberdade não se coloca plenamente sem que nela esteja também colocada a do modo de vida atual. O conforto contra a natureza que todos almejamos só é possível ser atendido pela modo industrial de produção. E este se vale do trabalho alienado do operário. Otimistas apostam na mecanização como libertária. Mas em que haverá de trabalhar o desempregado? Pergunto a nós: O que deseja o operário: ser o operário ainda da fábrica da qual será também o dono? Ou ser apenas o dono e contratar outro para ser o operário? Quem fará o trabalho entediante que ninguém quer fazer? Quem catará o lixo e lavará os banheiros e dará banho nos doentes e descascará a batata? Máquinas. E nós, desocupados, nos ocuparemos de quê? Penso que devemos imaginar outros modos de conforto desassociados da indústria. Longe de saber a resposta, me empenho em formular uma boa pergunta. Sugiro TEMPOS MODERNOS, filme emblemático de Charles Chaplin. “A natureza só é agradável quando a podemos contemplar de uma confortável varanda”, dizia o personagem de uma tragédia. Que sombra desejamos: a de uma árvore ou a de um telhado? A árvore, a temos; o telhado, sempre por construir. O quão parte da natureza ainda somos?

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