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25 de janeiro de 2020, 15h24

Petra Costa detona Bolsonaro em artigo publicado no New York Times

Diretora do documentário “Democracia em Vertigem” relata a chiadeira da direita brasileira, especialmente do presidente e seus apoiadores, pela indicação do seu filme ao Oscar

Petra Costa - Foto: Divulgação

Neste sábado (25), o famoso diário norte-americano The New York Times publicou um artigo da cineasta brasileira Petra Costa sobre ataques recentes do governo de Jair Bolsonaro à cultura e ao jornalismo no Brasil, e também sobre a reação da direita brasileira à indicação do seu filme “Democracia em Vertigem” ao Oscar na categoria Melhor Documentário.

Em seu texto, a diretora destaca a reação raivosa da direita brasileira à indicação do seu filme ao maior prêmio do cinema nos Estados Unidos. “Após a nomeação, minha equipe foi inundada por mensagens nas mídias sociais nos parabenizando pela conquista. Já o governo reagiu de forma diferente. O então Secretário de Cultura, Roberto Alvim, disse: ‘Se fosse na categoria de ficção, a nomeação seria correta'”.

Em outra passagem, Costa afirma que “o assalto sistemático do governo Bolsonaro à verdade tomou agora um rumo preocupante”, e conta que “em 2016, eu entrevistei Bolsonaro sobre seus planos para o setor cultural e ele reclamou que nenhum filme brasileiro era bom o suficiente para ser premiado com uma indicação ao Oscar. Na semana passada, no entanto, ele desprezou nossa indicação dizendo ‘para quem gosta do que urubu come, é um bom filme’. Em seguida, ele admitiu não ter visto o filme, mas isso não impediu que a legião de trolls que o segue nas redes sociais de papaguear a acusação de que o filme era fake news”.

A cineasta também lembra do escandaloso vídeo de Roberto Alvim com citações nazistas, que levou à sua exoneração da Secretaria da Cultura: Em um vídeo postado nas redes sociais para promover um prêmio nacional de arte, ele proclamou que “a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de uma grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que  é profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo — o então não será nada”.

O discurso repete frases do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, proclamadas em maio de 1933. Um retrato de Bolsonaro aparecia atrás de Alvim, enquanto “Lohengrin” — uma ópera do compositor favorito de Adolf Hitler, Richard Wagner — podia ser ouvida ao fundo.

Perseguição

Ela também comenta a perseguição do Ministério Público Federal contra o jornalista Glenn Greenwald: “As acusações decorrem de uma série de artigos publicados no site The Intercept Brasil, expondo o que parecia ser conluio entre os principais atores da Operação Lava Jato, uma investigação anticorrupção”.

Petra conclui seu artigo dizendo que “não há luz visível no fim do túnel desta guerra cultural que procura censurar os valores liberais e progressistas e desconstruir a verdade para impor um fascismo tropical. Como aponto em ‘Democracia em Vertigem’, a elite se cansou do jogo da democracia. A história do nazismo mostra que as elites que se calaram diante do avanço do autoritarismo acabaram sendo engolidas por ele. A extinção é o preço da omissão”.

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